Pedro Cardoso sobre evangélicos alinhados com Bolsonaro: “Falsas igrejas nada mais são do que máfias”

Pedro Cardoso. Foto: Reprodução/Instagram

Publicado originalmente no Instagram do autor

POR PEDRO CARDOSO, ator

Sugiro com entusiasmo a tradução da Bíblia de Frederico Lourenço. O livro não é apenas o texto canônico; é também um estudo da própria questão da tradução. Ideias e fatos caminham grandes distâncias de tempo e no seu caminhar vão tentando se salvar como podem das imperfeições dos idiomas pelos quais são transmitidas e narrados. É um percurso repleto de percalços. Toda palavra, quando na ausência daquilo que diz, precisa de outras para se explicar.

E, estas, de outras mais; e assim as palavras como que procuram se ajudar umas as outras a dizerem o que cada uma delas diz. Mas, me parece evidente, que por não se dizerem sozinhas, fica sempre algo por ser dito; ou, apenas não, quando estamos na presença do que a palavra se criou para dizer. A palavra de Jesus nos vem de muito longe; e, mais do que todas, tem sido usada para dizer o que querem dizer os senhores das igrejas. Lourenço é um historiador do grego. A maioria dos livros do Livro foi escrita em grego. Ele nos oferece um texto em português que, a mim me pareceu, ser muito fiel ao que dizem que Jesus teria dito e feito. É uma emoção de verdade assustadoramente bela.

É mais do que a Bíblia. É um estudo sobre a distorção que o tempo produz na história e como fazer para des-distorce-la. Nesses tempos em que a tradição cristã, já tão complexa em si mesma, está sendo apropriada por falsas igrejas que nada mais são do que máfias em busca de se apoderar do Estado, é de fundamental importância defender Jesus de seus exploradores. A Bíblia de Lourenço, e seu estudo, é o que de melhor poderia ter acontecido para a defesa de verdade do que dizem que Jesus disse.

A expressão “pobres de espírito”, que seriam os bem aventurados, muito mais bem dita está por “os mendigos pelo espírito”; cito apenas um exemplo de muitos.

Como poderia Jesus ter dito que o céu pertenceria aos mesquinhos? É coisa que nunca entendi, nem poderia pois Jesus nunca o disse. Boa leitura e muito samba!

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Bom dia e bom carnaval que ninguém é de ferro! Sugiro com entusiasmo a tradução da Bíblia de Frederico Lourenço. O livro não é apenas o texto canônico; é também um estudo da própria questão da tradução. Ideias e fatos caminham grandes distâncias de tempo e no seu caminhar vão tentando se salvar como podem das imperfeições dos idiomas pelos quais são transmitidas e narrados. É um percurso repleto de percalços. Toda palavra, quando na ausência daquilo que diz, precisa de outras para se explicar. E, estas, de outras mais; e assim as palavras como que procuram se ajudar umas as outras a dizerem o que cada uma delas diz. Mas, me parece evidente, que por não se dizerem sozinhas, fica sempre algo por ser dito; ou, apenas não, quando estamos na presença do que a palavra se criou para dizer. A palavra de Jesus nos vem de muito longe; e, mais do que todas, tem sido usada para dizer o que querem dizer os senhores das igrejas. Lourenço é um historiador do grego. A maioria dos livros do Livro foi escrita em grego. Ele nos oferece um texto em português que, a mim me pareceu, ser muito fiel ao que dizem que Jesus teria dito e feito. É uma emoção de verdade assustadoramente bela. É mais do que a Bíblia. É um estudo sobre a distorção que o tempo produz na história e como fazer para des-distorce-la. Nesses tempos em que a tradição cristã, já tão complexa em si mesma, está sendo apropriada por falsas igrejas que nada mais são do que máfias em busca de se apoderar do Estado, é de fundamental importância defender Jesus de seus exploradores. A Bíblia de Lourenço, e seu estudo, é o que de melhor poderia ter acontecido para a defesa de verdade do que dizem que Jesus disse. A expressão “pobres de espírito”, que seriam os bem aventurados, muito mais bem dita está por “os mendigos pelo espírito”; cito apenas um exemplo de muitos. Como poderia Jesus ter dito que o céu pertenceria aos mesquinhos? É coisa que nunca entendi, nem poderia pois Jesus nunca o disse. Boa leitura e muito samba!

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