
Os presidentes de União Brasil e PP saíram em defesa do ministro Dias Toffoli após sua saída da relatoria do inquérito que apura fraudes no banco Master. O partido Solidariedade também se manifestou sobre o ocorrido na Corte Suprema, através do presidente Paulinho da Força. As manifestações foram divulgadas nesta sexta-feira (13), em meio à repercussão de informações reveladas pela Polícia Federal sobre ligações entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O deputado Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, também publicou manifestação em apoio ao magistrado. Ele destacou a trajetória de Toffoli na Corte e relembrou momentos em que o ministro ocupou cargos de liderança.
Na nota, Paulinho afirmou “reconhecer os quase 20 anos de relevantes serviços” prestados por Toffoli ao Supremo Tribunal Federal. Ele citou ainda a atuação do ministro na presidência da Corte durante a pandemia de covid-19 e à frente do Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2014.
O dirigente também criticou o que considera julgamento antecipado. “Não se pode admitir que corporações e uma parcela da mídia promovam o linchamento moral de autoridades públicas com base em pré-julgamentos e vazamentos seletivos de elementos de informação”, declarou.

Ciro Nogueira, presidente do PP, e Antonio Rueda, presidente do União Brasil, divulgaram nota conjunta. No texto, afirmaram que há “narrativas que querem colocar a opinião pública contra Toffoli” e manifestaram preocupação com o que classificaram como tentativa de desgaste da imagem do ministro.
Na mesma nota, os dirigentes defenderam a atuação institucional do Supremo. “A justiça se fortalece quando há equilíbrio e respeito às instituições. Atentar contra o ministro é enfraquecer não só um servidor da nação ou um Poder da República, mas sim atacar os pilares do nosso próprio sistema democrático”, declararam.
As manifestações ocorreram após o Supremo decidir redistribuir o inquérito que investiga o banco Master. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025 e, no mesmo período, Daniel Vorcaro foi preso na Operação Compliance Zero, sendo solto semanas depois mediante medidas cautelares.
A saída de Toffoli da relatoria foi anunciada na noite de quinta-feira (12), após deliberação dos demais ministros da Corte. O caso passou por novo sorteio e ficou sob responsabilidade de outro integrante do Supremo.
Pelego raiz
Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, faz parte de um universo singular da política brasileira, o dos “pelegos”. Este termo, usado para descrever aqueles que, muitas vezes, se alinham aos interesses dos poderosos em detrimento dos trabalhadores, traz à tona as contradições de sua trajetória.
Embora se apresente como defensor dos direitos dos trabalhadores, Paulinho não hesita em alinhar-se com figuras e decisões que, para muitos, são vistas como antitéticas aos interesses da classe trabalhadora.
Sua manifestação em apoio a Toffoli ilustra essa dicotomia: enquanto critica o julgamento antecipado de autoridades, também reforça um apoio incondicional ao sistema, onde a manutenção das estruturas de poder parece prevalecer sobre o interesse público. Esse paradoxo é o que marca sua posição dentro de uma política que, muitas vezes, se distancia das reais necessidades da população, para se alinhar a um jogo de interesses internos e corporativos.