Pentágono ameaçou o Papa Leão XIV após críticas a Trump

Atualizado em 8 de abril de 2026 às 20:26
O Papa Leão em Mônaco. Foto: reprodução

As relações entre os Estados Unidos e a Igreja Católica entraram em forte tensão após um episódio ocorrido em janeiro, quando autoridades do Pentágono teriam adotado um tom duro diante de representantes do Vaticano.

Dias depois de o Papa Leão XIV fazer um discurso crítico ao clima de militarização global, o subsecretário de Defesa para Política, Elbridge Colby, convocou o cardeal Christophe Pierre, embaixador do Vaticano nos EUA, para uma reunião a portas fechadas no Pentágono.

“Os Estados Unidos têm poder militar para fazerem o que quiserem no mundo”, disseram Colby e seus colegas ao cardeal. “A Igreja Católica deveria tomar um lado.”

Pierre é um prelado francês da Igreja Católica e diplomata veterano da Santa Sé, que serviu como núncio apostólico nos Estados Unidos. Nomeado cardeal pelo Papa Francisco em 2023, atuou anteriormente como núncio no México, Uganda e Haiti, sendo reconhecido por sua atuação diplomática em cenários complexos.

Segundo reportagem do site The Free Press, o encontro foi marcado por um tom de advertência. Durante a reunião, o governo americano chegou a mencionar o período histórico do Papado de Avinhão — quando a monarquia francesa submeteu a Igreja à sua influência — em um paralelo interpretado por membros do Vaticano como uma insinuação de coerção.

Críticas do papa irritaram Washington

A tensão foi alimentada pelas declarações de Leão XIV, que criticou o abandono da diplomacia baseada no diálogo em favor de uma política de confronto. O pontífice afirmou que “a guerra voltou a estar na moda” e alertou para o avanço de uma mentalidade belicista.

As falas foram vistas dentro do governo de Donald Trump como um ataque direto à sua administração, especialmente em meio à escalada militar envolvendo o Irã. O papa já havia classificado como “inaceitáveis” ameaças contra populações inteiras e defendido negociações de paz.

O breve encontro do Papa Leão XIV e o vice-presidente dos EUA JD Vance em maio de 2025

De acordo com fontes próximas ao Vaticano, o episódio no Pentágono foi interpretado como uma tentativa inédita de intimidação por parte de autoridades americanas. Não há registros públicos de encontros anteriores desse tipo entre representantes da Santa Sé e o Pentágono.

O impacto foi imediato: o papa teria cancelado planos de visitar os Estados Unidos ainda este ano. Internamente, autoridades da Igreja avaliaram a referência ao Papado de Avinhão como uma ameaça simbólica de uso de força contra o Vaticano.

A Casa Branca e o Departamento de Defesa rejeitaram a caracterização do encontro como hostil. Em nota, afirmaram que a reunião foi “respeitosa e razoável” e que os EUA mantêm “alto respeito” pela Santa Sé, defendendo a continuidade do diálogo.

O vice-presidente americano, JD Vance, afirmou nesta quarta-feira (8) que vai apurar os relatos. “Eu realmente gostaria de conversar com o cardeal Christophe Pierre e, francamente, com as nossas próprias equipes, para entender o que de fato aconteceu”, disse Vance, que está na Hungria. “Acho sempre uma má ideia dar opinião sobre histórias que não foram confirmadas nem corroboradas, então não vou fazer isso.”

O papa Leão XIV tem se manifestado contra o governo Trump desde que assumiu o cargo. Chamou de “realmente inaceitável” a declaração de Trump sobre “matar toda uma civilização” no Irã.

Um dos temas centrais da mensagem de Páscoa no fim de semana foi o alerta sobre o que ele chamou de crescente “globalização da indiferença” diante do sofrimento — expressão que ele atribuiu ao seu antecessor, o papa Francisco.

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