
Cerca de 1500 soldados das Forças Armadas dos Estados Unidos foram colocados em estado de prontidão para um eventual envio a Minnesota, segundo uma fonte do governo de Donald Trump. A medida ocorre enquanto autoridades estaduais também mobilizam a Guarda Nacional diante da escalada de protestos no estado. A informação foi divulgada inicialmente pela CNN e confirmada por autoridades da Defesa.
Autoridades militares afirmaram que diferentes cenários foram preparados para eventual decisão presidencial. Em nota, a Casa Branca disse ser rotina o Pentágono estar pronto para cumprir qualquer determinação do presidente. O porta-voz-chefe do Departamento de Defesa, Sean Parnell, declarou que as Forças Armadas “estão sempre preparadas para executar ordens do comandante em chefe, se forem acionadas”.
A movimentação ocorre em paralelo a relatos de um aumento previsto no envio de agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras e de outros funcionários federais a Minnesota, incluindo um número reduzido de agentes do FBI. Já a Guarda Nacional de Minnesota informou que, por enquanto, não foi enviada às ruas das cidades, mas está preparada para apoiar a segurança pública, conforme comunicado divulgado nas redes sociais.
Segundo a porta-voz da Guarda Nacional do estado, major Andrea Tsuchiya, as tropas estão posicionadas e prontas para responder, oferecendo apoio logístico, controle de tráfego e proteção à vida e ao patrimônio, além de garantir o direito da população de se manifestar pacificamente. O governador Tim Walz agradeceu às forças de segurança locais e pediu que os manifestantes mantenham protestos seguros e não violentos.
🇺🇸 #ICEGESTAPO sembrando el terror en #minessota pic.twitter.com/Wx5SMccvTF
— ZuritaCarpio (@ZuritaCarpio) January 12, 2026
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, reagiu com dureza às informações sobre a possível mobilização de soldados da ativa. Em entrevista à CNN, afirmou que a medida foi “claramente pensada para intimidar a população” e classificou a iniciativa do governo federal como “ridícula” e “completamente inconstitucional”. “Nunca imaginei que seríamos invadidos pelo nosso próprio governo federal”, declarou. Para Frey, um confronto entre Guarda Nacional, polícia local, agentes do ICE e tropas federais seria inaceitável.
Trump já havia levantado anteriormente a possibilidade de acionar a chamada Lei da Insurreição, legislação centenária que autoriza o uso de tropas federais em solo americano. O vice-procurador-geral Todd Blanche defendeu essa hipótese em entrevista à Fox News, afirmando que, se as lideranças locais não conseguirem manter a ordem, o presidente pode se sentir obrigado a agir para garantir a segurança da população.
Os preparativos militares ocorrem enquanto protestos continuam nas ruas geladas de Minneapolis. No sábado, manifestantes enfrentaram agentes federais em frente a prédios públicos e houve confrontos verbais entre grupos contrários e favoráveis ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE). As manifestações se intensificaram após um agente do ICE matar a tiros Renee Good, de 37 anos, mãe de três filhos, dentro de seu carro no início do mês. O caso provocou protestos em diversas cidades do país e ampliou a indignação contra a política migratória do governo Trump, marcada por operações agressivas com agentes armados e encapuzados.
A tensão aumentou ainda mais na semana passada, quando outro agente federal atirou na perna de um homem venezuelano que, segundo o Departamento de Segurança Interna, resistia à prisão. Walz autorizou o apoio inicial da Guarda Nacional às forças locais no dia seguinte à morte de Renee Good, dando início a uma mobilização que agora pode escalar para a presença de tropas federais.