Pentágono, nos EUA, deixa 1500 soldados de prontidão para enviar a Minnesota

Atualizado em 18 de janeiro de 2026 às 13:52
Agente do ICE joga spray de pimenta em manifestante em Minneapolis

Cerca de 1500 soldados das Forças Armadas dos Estados Unidos foram colocados em estado de prontidão para um eventual envio a Minnesota, segundo uma fonte do governo de Donald Trump. A medida ocorre enquanto autoridades estaduais também mobilizam a Guarda Nacional diante da escalada de protestos no estado. A informação foi divulgada inicialmente pela CNN e confirmada por autoridades da Defesa.

Autoridades militares afirmaram que diferentes cenários foram preparados para eventual decisão presidencial. Em nota, a Casa Branca disse ser rotina o Pentágono estar pronto para cumprir qualquer determinação do presidente. O porta-voz-chefe do Departamento de Defesa, Sean Parnell, declarou que as Forças Armadas “estão sempre preparadas para executar ordens do comandante em chefe, se forem acionadas”.

A movimentação ocorre em paralelo a relatos de um aumento previsto no envio de agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras e de outros funcionários federais a Minnesota, incluindo um número reduzido de agentes do FBI. Já a Guarda Nacional de Minnesota informou que, por enquanto, não foi enviada às ruas das cidades, mas está preparada para apoiar a segurança pública, conforme comunicado divulgado nas redes sociais.

Segundo a porta-voz da Guarda Nacional do estado, major Andrea Tsuchiya, as tropas estão posicionadas e prontas para responder, oferecendo apoio logístico, controle de tráfego e proteção à vida e ao patrimônio, além de garantir o direito da população de se manifestar pacificamente. O governador Tim Walz agradeceu às forças de segurança locais e pediu que os manifestantes mantenham protestos seguros e não violentos.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, reagiu com dureza às informações sobre a possível mobilização de soldados da ativa. Em entrevista à CNN, afirmou que a medida foi “claramente pensada para intimidar a população” e classificou a iniciativa do governo federal como “ridícula” e “completamente inconstitucional”. “Nunca imaginei que seríamos invadidos pelo nosso próprio governo federal”, declarou. Para Frey, um confronto entre Guarda Nacional, polícia local, agentes do ICE e tropas federais seria inaceitável.

Trump já havia levantado anteriormente a possibilidade de acionar a chamada Lei da Insurreição, legislação centenária que autoriza o uso de tropas federais em solo americano. O vice-procurador-geral Todd Blanche defendeu essa hipótese em entrevista à Fox News, afirmando que, se as lideranças locais não conseguirem manter a ordem, o presidente pode se sentir obrigado a agir para garantir a segurança da população.

Os preparativos militares ocorrem enquanto protestos continuam nas ruas geladas de Minneapolis. No sábado, manifestantes enfrentaram agentes federais em frente a prédios públicos e houve confrontos verbais entre grupos contrários e favoráveis ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE). As manifestações se intensificaram após um agente do ICE matar a tiros Renee Good, de 37 anos, mãe de três filhos, dentro de seu carro no início do mês. O caso provocou protestos em diversas cidades do país e ampliou a indignação contra a política migratória do governo Trump, marcada por operações agressivas com agentes armados e encapuzados.

A tensão aumentou ainda mais na semana passada, quando outro agente federal atirou na perna de um homem venezuelano que, segundo o Departamento de Segurança Interna, resistia à prisão. Walz autorizou o apoio inicial da Guarda Nacional às forças locais no dia seguinte à morte de Renee Good, dando início a uma mobilização que agora pode escalar para a presença de tropas federais.