Pentágono oculta milhares de baixas dos EUA no Oriente Médio sob Trump

Atualizado em 2 de abril de 2026 às 21:54
Legenda: Mísseis iranianos cruzam o céu durante testes militares no Oriente Médio. Foto: Wisam Hashlamoun/Anadolu via Getty Images

Uma reportagem do site The Intercept aponta que quase 750 militares dos Estados Unidos foram mortos ou feridos no Oriente Médio desde outubro de 2023, mas esses números não estariam sendo reconhecidos oficialmente pelo Pentágono.

De acordo com a matéria, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) — responsável pelas operações militares na região — estaria envolvido em um possível acobertamento de baixas, fornecendo dados desatualizados e subestimados, além de evitar esclarecer o número real de mortos e feridos.

Ataques recentes e números contestados

Na última sexta-feira, pelo menos 15 soldados americanos ficaram feridos em um ataque iraniano contra uma base aérea na Arábia Saudita que abriga tropas dos EUA, segundo autoridades ouvidas sob anonimato. O episódio não teria sido incluído nos balanços oficiais divulgados dias depois.

O CENTCOM informou recentemente que 303 militares haviam sido feridos desde o início da operação militar, mas o dado já estava desatualizado e ignorava ataques recentes. O comando também se recusou a informar o número total de mortos, que, segundo estimativas independentes, seria de pelo menos 15.

Guerra com o Irã e discurso de Trump

O presidente Donald Trump afirmou que mortes são inevitáveis em conflitos. Após receber famílias de militares mortos, declarou: “Quando você tem conflitos assim, sempre há mortes.”

Apesar do discurso, Trump sugeriu recentemente que pode encerrar a guerra contra o Irã em poucas semanas, mesmo sem alcançar objetivos declarados como a “liberdade do povo iraniano” ou a rendição incondicional de Teerã.

O presidente estadunidense, Donald Trump. Fonte: Alex Brandon/AP

Falta de transparência

Segundo um funcionário da Defesa ouvido pela reportagem, há um esforço deliberado da Casa Branca e do secretário de Defesa Pete Hegseth para manter os números sob sigilo.

Durante o governo anterior, de Joe Biden, o Pentágono divulgava relatórios detalhados com cronologias de ataques, locais atingidos e número de vítimas. Já na atual gestão, os dados são considerados vagos, incompletos e inconsistentes.

Entre os casos omitidos estaria um incêndio a bordo do porta-aviões USS Gerald R. Ford, que deixou mais de 200 marinheiros feridos, número que não aparece nas estatísticas oficiais do CENTCOM.

Pressão por explicações

Especialistas criticam a falta de transparência. Jennifer Kavanagh, diretora de análise militar do think tank Defense Priorities, afirmou que o governo deveria fornecer dados claros.

“O público americano está financiando essa guerra e tem o direito de saber seus custos humanos e econômicos”, diz.

Escalada e vulnerabilidade

Enquanto os EUA intensificam bombardeios contra o Irã, Teerã responde com ataques a bases americanas em diversos países, incluindo Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Síria e Emirados Árabes Unidos.

Segundo autoridades, os ataques têm forçado militares americanos a abandonar bases e se refugiar em hotéis e prédios civis, evidenciando vulnerabilidades na estratégia de defesa.

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