Pentágono planeja cortar tropas e influência dos EUA na Otan

Atualizado em 20 de janeiro de 2026 às 23:36
Pentágono visto do Air Force One, o avião presidencial americano Foto: Patrick Semansky/AP

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos decidiu reduzir a participação americana em alguns grupos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), segundo reportagem do The Washington Post publicada nesta terça-feira (20). A medida integra a estratégia do governo de Donald Trump de diminuir a presença militar dos EUA na Europa. Com informações do Estadão.

De acordo com o jornal, a decisão deve afetar cerca de 200 militares e atingir principalmente a atuação americana nos 30 Centros de Excelência da OTAN, responsáveis pelo treinamento das forças da aliança em áreas específicas. Entre os setores mais impactados estão os voltados à segurança energética e à guerra naval, segundo autoridades europeias ouvidas pela reportagem.

Fontes do governo americano afirmaram que não haverá retirada imediata de tropas. O plano prevê que os cargos deixem de ser preenchidos à medida que os contratos atuais expirem, um processo que pode se estender por vários anos. As mesmas fontes indicaram que a participação dos Estados Unidos nesses centros não será encerrada por completo.

Sede da Otan. Foto: Pascal Rossignol

O Washington Post também informou que o Pentágono pretende reduzir sua atuação em organismos da Otan ligados a operações especiais e inteligência. Parte dessas atribuições, no entanto, pode ser redistribuída internamente dentro da própria aliança, o que, segundo autoridades, tende a limitar o impacto operacional da decisão.

Em nota, um porta-voz da Otan declarou que “ajustes na postura e no efetivo das forças americanas não são incomuns” e acrescentou que a aliança mantém “contato próximo” com Washington sobre a distribuição de tropas.

Segundo autoridades americanas citadas pelo Washington Post, a medida vinha sendo discutida há meses e não está diretamente relacionada às declarações recentes de Trump sobre a Groenlândia. Ainda assim, as falas do presidente geraram críticas de líderes europeus e de parlamentares dos próprios Estados Unidos, que manifestaram preocupação com possíveis efeitos sobre a coesão da aliança militar.