“Pesadelo”: sobreviventes relatam terror após terremotos na Venezuela

Atualizado em 30 de junho de 2026 às 7:07
Uma pessoa caminha entre os escombros de um prédio que desabou na Venezuela. Foto: Divulgação

Os terremotos que atingiram a Venezuela deixaram um rastro de destruição em diferentes regiões do país e seguem impactando diretamente a rotina de sobreviventes, que relatam perdas, medo e operações improvisadas de resgate entre escombros.

Na cidade de La Guaira, uma das áreas mais afetadas, moradores ainda tentam localizar desaparecidos e lidar com a destruição de prédios inteiros, que desabaram em segundos durante os tremores.

O pescador Osvaldo conseguiu escapar com a neta, mas perdeu um familiar na tragédia e ainda não tem informações sobre o paradeiro de outros parentes. “Desci as escadas correndo com a minha neta. Tenho um sobrinho que mora no primeiro andar e não foi encontrado. Muita gente morreu. Saíram seis ou sete pessoas vivas. É um pesadelo”, contou.

Outra sobrevivente, a venezuelana Carmen, conhecida como Tielita, relatou o momento em que o prédio onde estava hospedada começou a ruir após os tremores. “Eu abracei o batente da porta da cozinha. Começou um movimento forte e logo depois outro mais forte ainda. Percebi que o prédio estava desmoronando”, relembra.

Sobreviventes descrevem momentos de terror após terremotos que devastaram a Venezuela. Foto: Reprodução

Após o colapso da estrutura, ela permaneceu por horas presa entre os escombros, ferida e em meio à escuridão e à poeira causada pelo desabamento. “Quando tudo parou de tremer, ficou escuro e havia muito pó. Eu disse para mim mesma: ‘Estou viva’.”

Segundo o relato da sobrevivente, o resgate demorou a começar e, nas primeiras horas, não havia presença de equipes oficiais nas áreas atingidas. “Seis horas depois do terremoto, ainda não tinha aparecido nenhum bombeiro, nenhum policial. Só pessoas procurando por conta própria os seus parentes.”

A retirada de Tielita dos escombros foi feita com ajuda de voluntários e ferramentas improvisadas levadas até o local pelo primo, que conseguiu chegar à área destruída de motocicleta. Enquanto as buscas continuam, familiares seguem desaparecidos e comunidades inteiras permanecem em alerta diante da possibilidade de novos desabamentos e da falta de informações oficiais completas.

“Os venezuelanos são fortes. Sei que eles vão resistir até o último fio de respiração. Mas é preciso que alguém os resgate”, afirmou a sobrevivente, enquanto equipes ainda trabalham na procura por vítimas nos pontos mais atingidos.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.