Pesquisa aponta Flávio como “clone do fascismo” e com baixa capilaridade eleitoral

Atualizado em 21 de abril de 2026 às 12:08
Flávio Bolsonaro coçando os ouvidos. Foto: Pedro França/Agência Senado

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência ainda esbarra em um problema central: apesar de aparecer bem posicionado nas pesquisas, o senador não é percebido como um candidato consolidado pelo eleitorado. Levantamento do Instituto Travessia, divulgado pelo Estadão nesta terça-feira (21), indica que seu nome circula mais pela associação ao pai, Jair Bolsonaro, do que por uma identidade política própria. Ou seja, é um clone mal acabado do fascismo.

Um episódio simbólico ilustra esse cenário.

Em um trajeto curto entre bairros de São Paulo, um motorista de aplicativo confundiu o nome do senador ao tentar apontar um adversário de Lula (PT): “Fábio Bolsonaro”. A troca evidencia o baixo nível de reconhecimento estruturado sobre quem é Flávio, apontado como um dos principais desafios de sua pré-campanha.

Relatório do Instituto Travessia, baseado em 12 pesquisas qualitativas realizadas entre setembro de 2025 e março de 2026 em dez estados e no Distrito Federal, mostra que muitos eleitores desconhecem a trajetória política do senador. Há pouca clareza, por exemplo, de que ele exerce mandato no Senado pelo Rio de Janeiro e já foi deputado estadual por quatro legislaturas.

Além disso, Flávio é frequentemente visto apenas como “filho de Bolsonaro” e chega a ser confundido com outros membros da família. Essa percepção limita sua capacidade de construir uma base própria e engajamento emocional. Segundo o cientista político Renato Dorgan, “sua força nas pesquisas deriva do antipetismo, da transferência simbólica do bolsonarismo e da ausência de concorrência forte no campo da direita”.

Jair e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

O próprio Dorgan resume o momento do pré-candidato como instável: “Flávio Bolsonaro, neste estágio em que a pré-campanha se encontra, não se configura como um candidato de liderança consolidada, mas, sim, um vetor de continuidade da polarização”. Ou seja, seu desempenho está mais ligado ao cenário político do que à força individual.

As pesquisas apontam ainda fragilidades claras: baixo conhecimento real do eleitor, ausência de identidade própria, dependência da polarização e dificuldade de ampliar apoio fora do núcleo ideológico. Seu eleitor típico é mais masculino, acima dos 40 anos e fortemente alinhado ao antipetismo.

Entre públicos estratégicos, como mulheres, jovens e eleitores de maior escolaridade, o cenário é mais desafiador. Nesses grupos, crescem críticas ligadas a temas como as “rachadinhas” e a relação com milicianos, além da percepção de que o senador não se diferencia dos demais integrantes da família Bolsonaro.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.