Pesquisa CNT/MDA revela que Haddad e Bolsonaro estarão no segundo turno e alguém precisa contar a Marina que ela morreu. Por Joaquim de Carvalho

Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Fotos Públicas

A pesquisa CNT/MDA divulgada neste domingo revela que Fernando Haddad e Jair Bolsonaro deverão estar no segundo turno. Em relação à pesquisa anterior, realizada entre 12 e 15 de setembro, Haddad foi de 17,6 para 25,2% dos votos e Bolsonaro se manteve nos 28,2. Esta pesquisa, realizada entre 27 e 28 de setembro, mostra, portanto, empate técnico entre os dois, com Haddad em trajetória de alta.

Outros resultados: Ciro Gomes oscilou negativamente de 10,8 para 9,4, Alckmin foi de 6,1 para 7,3, Marina Silva caiu. Estava com 4,1% e agora tem 2,6, e está tecnicamente empatada com Henrique Meirelles, que oscilou de 1,7% para 2. Já Álvaro dias tinha 1,9% e agora tem 1,7%. Veja a pesquisa completa abaixo.

Além da confirmar que o cenário mais provável será o de segundo turno entre Haddad e Bolsonaro, a pesquisa chama a atenção pela queda de Marina. A luta dela agora será para não terminar a corrida eleitoral atrás de Meirelles e Álvaro Dias, em sétimo lugar. Ou talvez oitavo, se João Amoêdo, do Novo, subir um pouquinho.

Em respeito ao passado que Marina teve — a senadora mais jovem a se eleger pelo Acre, ex-ministra do Meio Ambiente, política mundialmente conhecida pelo discurso ambientalista —, alguém precisa avisá-la de que ela morreu politicamente, e necessita de um sepultamento menos indigno.

Para isso, precisaria se realinhar às ideias de seu tempo e tentar fugir da armadilha em que se colocou, ao adotar um discurso parecido com o de Álvaro Dias e se apresentar como uma representante da Lava Jato.

Marina insiste em rotular Lula e o PT como protagonistas do maior esquema de corrupção do sistema solar, no momento que se apresenta como cristalina a ideia de que ambos foram alvos de uma campanha de perseguição, resultado da união do jornalismo de guerra da velha mídia com o ativismo político de setores do Ministério Público e do Judiciário.

O combate à corrupção é sempre uma boa bandeira eleitoral, mas, no caso da Lava Jato, esse discurso passou a emitir sinais de farsa.

Para Marina, uma farsa ainda maior, diante de um fato que lhe tira toda credibilidade: a foto dela tendo a mão beijada por Aécio Neves, no segundo turno da eleição de 2014.

O ocaso de Marina Silva deveria emitir um sinal de alerta para Ciro Gomes, o candidato do PDT, que também parece ter se perdido em meio à frustração por não ter do eleitorado a resposta que talvez esperasse.

Só o desespero explica a resposta que deu em uma entrevista coletiva sobre a absurda decisão do ministro Luiz Fux de proibir a entrevista de Lula e da publicação de qualquer declaração do ex-presidente dirigida à imprensa.

É uma decisão que, segundo juristas, afronta a Constituição. Mas Ciro a endossou.

Pareceu tão inverossímil que Ciro tivesse aderido ao pelotão de fuzilamento de Lula que era preciso verificar se houve, de fato, esta declaração.

E houve, está no site da CBN. Pode conferir. Diz Ciro:

“Eu acho que é uma aberração o Lula querer dar uma entrevista a 5, 6, 7 dias da eleição. Acho mesmo, francamente. O que o PT está querendo com isso?”.

Um repórter lembrou:

“A imprensa solicitou”.

“Sim, a imprensa solicitou também do cara que deu a facada no Bolsonaro… Há um limite. Um mínimo de civilidade no processo eleitoral. Vamos raciocinar exatamente assim… O PT adora um mimimi de vitimista. Mas vamos lá: o juiz autoriza o maluco lá que deu a facada no Bolsonaro, e um de vocês pergunta: Quem mandou você dar a facada? E ele diz: foi a turma do PT. E aí?

Um jornalista pergunta se a decisão de Fux não atentaria contra a liberdade de imprensa.

“É não, é não, liberdade de imprensa tem limite.”

Sim, a liberdade de expressão tem limite. Ninguém pode gritar “fogo” num cinema lotado, sob pena de provocar uma tragédia.

Mas não é este o caso — a entrevista a Lula foi solicitada, logo depois de sua prisão, pela Folha de S. Paulo, Rede TV e pelo DCM.

A juíza Carolina Lebbos negou, sob argumento de dificuldades de infraestrutura — a Superintendência da PF não teria espaço adequado para a entrevista.

É um argumento inidôneo, na expressão do ministro Ricardo Lewandowski, já que não é incomum que presos deem entrevistas, mas este não é o ponto.

É uma desonestidade intelectual comparar a entrevista de Lula com a de Adélio Bispo de Oliveira, que deu a facada em Bolsonaro.

Ciro Gomes poderia comparar Lula a Fernando Henrique Cardoso, que dá entrevista toda hora e expõe as suas preferências eleitorais, mas não com um homem perturbado mentalmente.

Ciro, para desgaste dele próprio, engrossa a corrente que concorda com a violência que significa retirar do ex-presidente o direito garantido pela Constituição de se expressar livremente. Já não bastava terem lhe tirado direito à liberdade e também o direito político de se candidatar a presidente?

É claro que Ciro está de olho no impacto eleitoral que uma entrevista de Lula teria. Mas não poderia haver também impacto eleitoral no que diz Fernando Henrique?

O que Ciro defende não é uma questão de princípio. É temor da força da palavra dita por Lula, incomparavelmente superior à de FHC.

Esta eleição se dá em torno de Lula, e assim será durante muito tempo, gostem ou não os adversários.

Por isso, Ciro Gomes deveria mirar um pouco adiante. Bem além do dia 7 de outubro. Para não correr o risco de se transformar numa Marina, hoje um zumbi político que vaga entre nós falando da Lava Jato.

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