Pesquisa mostra por que Lula continua sendo um prisioneiro de guerra. Por Jeferson Miola

Publicado no blog do autor

Foto: Lula Marques/Agência PT

Por Jeferson Miola

A pesquisa do IPEC [ex-IBOPE] que mediu o piso e o teto eleitoral de candidaturas para 2022 mostra que o ex-presidente Lula tem hoje, como tinha em 2018, dupla vantagem em relação a todos nomes pesquisados.

Além de ter o maior potencial de pessoas dispostas a votar nele, Lula também tem o menor potencial de rejeição na comparação com todos demais. Em síntese, a pesquisa mostra que Lula venceria todos seus concorrentes.

Mas esta pesquisa mostra, acima de tudo, por que Lula continua sendo tratado como um prisioneiro de guerra que, apesar de ter recuperado a “liberdade física” em novembro de 2019, ainda continua com seus direitos civis e políticos sequestrados.

A conjuntura pré-eleitoral de hoje em grande medida traz para a oligarquia dominantes as mesmas dificuldades da conjuntura de 2018. Conforme indicavam todos institutos de pesquisa à época, eram enormes as probabilidades de que Lula venceria a eleição, e já no 1º turno.

Por isso ele foi alvejado pela ação da gangue da Lava Jato que executou, sob coordenação dos EUA e com respaldo da cúpula militar brasileira, a monstruosa farsa para prendê-lo e impedi-lo de disputar e vencer a eleição presidencial.

Para eleger Bolsonaro, portanto, foi crucial tirar Lula do caminho. Sem o serviço sujo da gangue chefiada por Sérgio Moro, e sem o emparedamento do STF pelo Alto Comando do Exército, Bolsonaro jamais seria eleito.

Trancafiaram Lula na Guantánamo de Curitiba e trataram-no como um prisioneiro de guerra. Com a cumplicidade de uma Suprema Corte tutelada e sob pressão direta do general Fernando Azevedo e Silva no gabinete do então presidente Toffoli, proibiram inclusive entrevistas, para silenciar Lula e impedir que sua voz levasse o petista Fernando Haddad à vitória.

Os comandos das Forças Armadas, sobretudo do Exército, tudo fazem para impedir, por todos meios ilegais e inconstitucionais, a volta do PT e da esquerda ao governo central do país.

O então candidato a vice, general Mourão, deixou claro que os militares não aceitariam o retorno do Lula. “Como é que esse camarada vai voltar a esse cargo? Como é que esse camarada vai ser Comandante em chefe das Forças Armadas? Nós vamos ter um ladrão Comandante? Não pode! Esse cara tá fora!”, declarou Mourão em evento de campanha em 8 de junho de 2018 [vídeo aqui].

No livro no qual confessou o atentado à democracia perpetrado pelo Alto Comando, o general Villas Bôas também confessou que para o Exército – instituição que atua partidariamente – “o sentimento antipetista era principalmente dirigido ao ex-presidente Lula” [pág. 217].

Na visão deste “Pinochet brasileiro” que traiu a presidente Dilma e conspirou com Temer para derrubá-la, “havia uma forte rejeição ao PT” [pág. 218], e “o crescimento de um sentimento até de aversão ao partido” [pág. 177].

A ojeriza do “Partido Militar” a Lula, à esquerda e ao PT segue intacta. Lula, aparentemente, continua sendo “uma barreira instransponível para os militares; uma linha da qual não aparentam estar dispostos a recuar tão cedo”.

Para Villas Bôas, “preocupa uma eventual volta ao poder pela esquerda”. Num recado que pode ser lido como ameaça, ele diz: “Não aprendem e também não esquecem” [pág. 158].

Lula é o maior obstáculo à continuidade da barbárie e do projeto devastador executado pelos militares. De acordo com a pesquisa IPEC, só Lula é capaz de interromper, a partir de uma eleição limpa, o ciclo militar-fascista em marcha e dar início à reconstrução da democracia e ao processo de salvação e reconstrução do Brasil.

O problema, porém, é que justamente por isso Lula segue mantido como um prisioneiro de guerra do Exército brasileiro, que atua como força de ocupação que promove a brutal devastação do país.

O STF está diante do maior desafio de toda sua existência. Ou restaura a Constituição, declara Moro suspeito e anula todos arbítrios perpetrados contra Lula; ou, do contrário, se assume como instituição tutelada pelo “Partido Militar” e cúmplice de guerra deste partido ilegal.

A possibilidade do Brasil se reencontrar com a democracia e evitar a mudança de regime civil para militar depende desta decisão urgente da Suprema Corte.

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