Pessimista, defesa de Bolsonaro prevê condenação e prepara nova estratégia

Atualizado em 29 de agosto de 2025 às 16:12
O advogado criminalista Celso Vilardi e o ex-presidente Jair Bolsonaro durante julgamento no STF, em março. Foto: Gustavo Moreno/STF

A quatro dias do início do julgamento no Supremo Tribunal Federal, advogados de Jair Bolsonaro e de outros sete acusados pela tentativa de golpe já admitem pessimismo em relação ao resultado. Em conversas reservadas, integrantes das defesas afirmam não ver espaço para absolvições no caso.

Segundo a coluna de Bernardo Mello Franco no jornal O Globo, a avaliação é de que a tendência no STF é pela condenação de todos os réus, sem margem para reversão. Nem mesmo a possibilidade de um pedido de vista por parte do ministro Luiz Fux, que poderia adiar a conclusão para 2026, gera expectativas concretas entre os advogados.

Um dos principais defensores envolvidos no processo avalia que, após o início das sessões, os últimos recursos internos serão julgados em até dois meses. Nesse cenário, Bolsonaro e os demais acusados estariam definitivamente condenados até novembro.

Diante desse quadro, as defesas já discutem como estratégia recorrer a cortes internacionais. A principal opção é a Corte Internacional de Justiça, em Haia, onde os advogados pretendem tentar reverter a decisão brasileira.

Os argumentos que serão usados no exterior já estão preparados. A alegação central é de que houve cerceamento de defesa no processo e de que os réus não tiveram direito ao duplo grau de jurisdição, já que a ação penal começou diretamente no STF.

O ex-presidente Jair Bolsonaro no portão de sua casa, no condomínio Solar de Brasília, onde cumpre prisão domiciliar atualmente. Foto: Gabriela Biló/Folhapress

Além de Bolsonaro, são réus no “núcleo 1” da trama golpista Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor-geral da Abin; Almir Garnier Santos, almirante e ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; Augusto Heleno, general da reserva e ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional); Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro; Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa; e Walter Braga Netto, general da reserva e ex-ministro da Casa Civil e da Defesa.

O julgamento está previsto para iniciar na próxima terça (2) e segue até 12 de setembro de 2025. Se Bolsonaro for condenado, as penas podem chegar a até 43 anos de prisão.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.