
Aliados próximos de Flávio Bolsonaro (PL) afirmaram que não receberam aviso sobre sua viagem rumo aos Estados Unidos e passaram a temer que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determine a prisão preventiva do senador. Integrantes de sua campanha presidencial também disseram ter sido surpreendidos pela decisão.
A preocupação cresceu porque Flávio não entregou seus passaportes no prazo de 24 horas fixado por Moraes, que venceu às 11h desta terça (27). Os documentos brasileiro e diplomático tiveram o cancelamento anunciado, mas o senador também possui documento italiano.
Na segunda (26), horas antes de deixar o país, Flávio publicou um vídeo em que negou a intenção de sair do Brasil. “Nunca pensei em deixar o país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, disse.
O senador relatou que agentes da Polícia Federal o intimaram ao deixar a casa de Jair Bolsonaro, em Brasília, após uma visita ao pai. Depois do encontro, ele se reuniu com integrantes da equipe de campanha, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que estava na capital federal.
SOCORRO! Flávio Bolsonaro faz vídeo PREOCUPADO após ter seu passaporte retido pela PF, por estar sendo investigado por lavagem de dinheiro. pic.twitter.com/ezK4fT7xWs
— POPTime (@poptime) October 26, 2026
Inquéritos no STF envolvem Banco Master e empresário de apostas
Flávio Bolsonaro responde a dois inquéritos criminais no STF e mantém foro especial como senador até fevereiro. A ordem para a entrega dos passaportes partiu da investigação sobre sua relação com o advogado Willer Tomaz, investigado no caso de fraudes no INSS.
O outro inquérito apura um pedido de recursos a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Flávio e Vorcaro são investigados por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas; o senador nega irregularidades e sustenta que a produção recebeu apenas dinheiro privado obtido legalmente.
Emails analisados pela Polícia Federal apontaram que Willer Tomaz e Flávio teriam dividido uma conta no Santander. Em uma das mensagens, o senador aparece como “usuário master”, credencial que permite a mais de uma pessoa ou empresa administrar uma conta e movimentar valores de forma conjunta. Ambos negaram, em nota, que tenham dividido a conta.
A cúpula do PL trabalhava com a expectativa de que Flávio organizasse a oposição ao governo Lula no Congresso após receber quase 60 milhões de votos no segundo turno. Dirigentes do partido disseram que não conseguiram falar com o senador nesta terça-feira, e o plano de lhe dar uma função de destaque na legenda entrou em revisão.