Petro acusa Equador de bombardear a Colômbia na fronteira

Atualizado em 17 de março de 2026 às 10:49
Gustavo Petro, presidente da Colômbia. Foto: reprodução

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou na útima segunda-feira (16) que o país pode ter sido alvo de um bombardeio vindo do Equador, após a descoberta de uma bomba nas proximidades da fronteira entre os dois países. A declaração ocorre em meio à crescente tensão diplomática e comercial entre Bogotá e Quito.

Segundo Petro, o artefato foi identificado como tendo sido lançado por uma aeronave, o que levanta suspeitas sobre a origem do ataque.

“Foi encontrada uma bomba lançada de um avião. Vamos investigar melhor as circunstâncias, muito perto da fronteira com o Equador, o que reforça um pouco minha suspeita, mas é preciso apurar bem que estão nos bombardeando a partir do Equador e não são grupos armados”, disse o presidente durante reunião ministerial.

O chefe de Estado colombiano afirmou ainda que há registros de outros episódios semelhantes. “Já houve várias explosões”, declarou, acrescentando que pretende divulgar em breve “uma gravação” recebida por seu governo a partir do território equatoriano.

Petro também fez um apelo direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para evitar uma escalada do conflito. Segundo ele, pediu que Trump “aja e ligue para o presidente do Equador, porque não queremos entrar em guerra”.

A tensão entre os dois países se intensificou desde janeiro, quando o presidente do Equador, Daniel Noboa, anunciou a criação de uma “taxa de segurança” de 30% sobre importações colombianas. A medida foi justificada por uma suposta falta de ações da Colômbia no combate ao narcotráfico na região de fronteira.

Daniel Noboa, presidente do Equador. Foto: reprodução

Em resposta, o governo colombiano aplicou tarifas sobre 73 produtos e interrompeu o fornecimento de energia elétrica ao Equador. Quito reagiu elevando a tarifa sobre o transporte de petróleo colombiano em oleodutos estratégicos, chegando a 50% desde o início de março.

A crise ganhou novo capítulo com o reforço da cooperação entre Equador e Estados Unidos. Na semana passada, os dois países firmaram acordo para instalação de um escritório do Federal Bureau of Investigation no território equatoriano, com foco no combate ao crime organizado internacional.

Além disso, operações militares conjuntas foram realizadas no Equador contra grupos classificados como terroristas, incluindo ações contra dissidências das FARC, como os Comandos da Fronteira.

Diante do cenário, Petro reforçou a necessidade de cautela. “A soberania nacional deve ser respeitada. A bomba está ativa, portanto é perigosa, e precisamos tomar as medidas necessárias”, afirmou.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.