
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que amplie o sistema de pagamentos instantâneos PIX para o território colombiano. A solicitação foi feita em meio à crescente tensão com os Estados Unidos, que ameaçam incluir o sistema brasileiro em uma lista de sanções.
Segundo Petro, a chamada “Lista Clinton”, administrada pela Office of Foreign Assets Control (Ofac), deixou de ser um instrumento de combate ao narcotráfico e passou a funcionar como ferramenta de controle político global. Em publicação na rede X, o colombiano afirmou que o presidente Donald Trump deveria parar de utilizar o mecanismo, que, segundo ele, “serve apenas para perseguir oposições políticas e domesticá-las no mundo”.
No mesmo posicionamento, Petro classificou o sistema de sanções como “aberrante” e guiado por uma extrema direita que não respeita a diversidade econômica global. Ele também defendeu a construção de uma governança internacional mais democrática.
Críticas à guerra e à geopolítica
O presidente colombiano aproveitou para criticar os conflitos internacionais em curso, afirmando que “as guerras não servem para nada” e que a humanidade sempre sai perdendo. Petro revelou ainda que discutiu o tema diretamente com Trump, pedindo que o líder americano interrompa a guerra contra o Irã.
Apesar disso, acusou o entorno do presidente dos EUA de incentivá-lo a decisões equivocadas. “Está cercado de pessoas que querem sangue e o fazem errar constantemente”, disse, ao apontar que essas ações geram consequências irreversíveis para populações civis.
Petro também reiterou sua oposição ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a quem chamou de “sanguinário e homicida”, acusando-o de promover crimes contra a humanidade em Gaza e, mais recentemente, no Irã.
Narcotráfico e críticas à extradição
O líder colombiano ainda criticou a política antidrogas dos Estados Unidos, afirmando que a extradição se tornou “uma tolice” que permite a traficantes negociarem penas em cidades como Miami e Nova York. Segundo ele, isso enfraquece o combate real ao narcotráfico.
Petro citou líderes criminosos como “Iván Mordisco”, “Chiquito Malo” e integrantes da Segunda Marquetalia, alegando que muitos operam fora da Colômbia, protegidos por acordos judiciais internacionais, enquanto expandem seus negócios ilícitos globalmente.
Disputa entre Lula e Trump pelo PIX
A tensão também envolve diretamente o governo brasileiro. Lula reagiu às críticas dos EUA, que acusam o PIX de distorcer o mercado internacional e afetar o dólar. O presidente brasileiro afirmou que o sistema continuará operando normalmente.
“O PIX presta um serviço ao povo brasileiro, e ninguém nos fará mudar isso”, declarou. Ele acrescentou que o governo pretende aprimorar a ferramenta para ampliar ainda mais seu alcance.
Criado em 2020 pelo Banco Central do Brasil, o PIX é um sistema de pagamentos instantâneos que permite transferências em tempo real por meio de aplicativos bancários, QR Codes ou chaves digitais. Sua infraestrutura é baseada no Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), com transações criptografadas e validadas digitalmente.
As investigações dos Estados Unidos sobre o PIX começaram em 2025, quando Trump acusou o sistema de práticas anticompetitivas contra empresas americanas e ameaçou impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. Em resposta, Lula lançou uma campanha nas redes sociais defendendo a soberania do sistema com o slogan: “O PIX é nosso, my friend”.
#Nación | El presidente @petrogustavo cuestionó la amenaza del gobierno de Estados Unidos de incluir en la lista OFAC de control de activos extranjeros al sistema de pagos digitales de Brasil, Pix.
El mandatario pidió al gobierno de Lula Da Silva extender este sistema de pagos… pic.twitter.com/V1Yb6SHAhZ
— RTVC Noticias (@RTVCnoticias) April 5, 2026