Petro rebate Trump após ameaça contra a Colômbia: “Pare de me caluniar”

Atualizado em 5 de janeiro de 2026 às 10:39
Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Colômbia, Gustavo Petro. Foto: Reprodução

O presidente colombiano, Gustavo Petro, rejeitou neste domingo (4) as ameaças do presidente americano, Donald Trump, que o acusa, sem apresentar provas, de envolvimento com o narcotráfico — argumento usado para justificar a captura de Nicolás Maduro no fim de semana. Trump afirmou, a bordo do Air Force One, que uma operação na Colômbia semelhante à realizada na Venezuela parecia “uma boa ideia” e acusou Petro de traficar drogas para os Estados Unidos.

O presidente colombiano critica a ação militar do governo Trump na região e acusa os EUA de terem capturado Nicolás Maduro “sem base legal”.

Maduro foi detido em Caracas no sábado (3), após bombardeios de Washington sobre a capital. “Pare de me caluniar, senhor Trump. Não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que chegou ao poder pela luta armada e, depois, pela luta do povo colombiano pela paz”, criticou Petro em uma longa mensagem na rede X.

“Ele ignora a história colombiana, e é por isso que erra ao nos criticar. Bastaria que consultasse seus próprios especialistas em combate ao narcotráfico na Colômbia, aos quais prestei assistência em minhas próprias investigações como senador da República, pela esquerda colombiana e pelo seu povo, vítima do genocídio perpetrado pelos cartéis da droga e seus aliados políticos, eles mesmos aliados da extrema direita americana”, ressaltou o presidente colombiano em outro trecho da postagem.

Depois de dizer no sábado que Petro deveria “ficar esperto”, Trump chamou o presidente colombiano no domingo de “homem doente” que “gosta de usar cocaína”. “A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos, e não vai fazer isso por muito tempo”, acusou.

Gustavo Petro “tem fábricas de cocaína e não vai fazer isso por muito tempo”, acrescentou Trump. O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia considerou as ameaças do presidente americano como uma “ingerência inaceitável” e pediu “respeito”.

Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, os dois líderes trocam farpas frequentes sobre questões como tarifas alfandegárias e política migratória. A Colômbia, país vizinho da Venezuela, e os Estados Unidos são aliados militares e econômicos estratégicos na região, mas as relações entre os dois países se desgastaram nos últimos anos.

Paralelamente, Trump também declarou que uma intervenção militar americana em Cuba provavelmente seria desnecessária, considerando que o país parece prestes a desmoronar por conta própria.

Guerrilhas colombianas estão prontas para “enfrentar” EUA

As guerrilhas colombianas que atuam na fronteira com a Venezuela afirmaram estar prontas para enfrentar “os planos imperialistas” dos Estados Unidos, segundo comunicados divulgados neste domingo, um dia após a captura de Nicolás Maduro.

A guerrilha do ELN (Exército de Libertação Nacional) declarou que se une a “todos os patriotas, democratas e revolucionários” para “enfrentar os planos imperialistas contra a Venezuela e os povos do Sul”, conforme comunicado enviado via Telegram.

Já os dissidentes das FARC (que assinaram um acordo de paz e se desmobilizaram em 2016) advertiram que dariam “até a última gota de sangue, lutando contra o império americano, se necessário”. “Cedo ou tarde, o império ianque cairá”, escreveram no X.

Segundo especialistas, essas guerrilhas envolvidas no tráfico de cocaína circulam em território venezuelano com a conivência do Exército do país. O presidente colombiano, Gustavo Petro, mobilizou 30 mil soldados para reforçar os pontos de passagem na fronteira com a Venezuela e colocou o país em alerta diante da possibilidade de atentados por parte desses grupos armados ilegais.

Originalmente publicado na RFI