O que descoberta de petróleo na Margem Equatorial muda para a Petrobras

Atualizado em 19 de agosto de 2026 às 7:24
Estrutura de exploração de petróleo em área marítima
Estrutura de exploração de petróleo em área marítima. Foto: Reprodução

A Petrobras identificou indícios de petróleo no poço pioneiro Morpho, perfurado em águas ultraprofundas do Amapá, na Margem Equatorial. O resultado, obtido dez meses após o início da campanha, abre uma nova etapa de análises sobre o potencial exploratório da bacia da Foz do Amazonas.

A produção comercial na região ainda pode levar entre seis e sete anos. A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, afirmou em entrevista ao Estadão que o Centro de Pesquisas da companhia, o Cenpes, analisará o material encontrado para definir a qualidade do óleo e o potencial do poço. “Vamos aguardar as análises que serão feitas no Cenpes sobre o óleo”, disse.

O Morpho fica a 175 quilômetros da costa de Oiapoque e a quase 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas. A Petrobras recebeu licença para a perfuração em outubro de 2025, depois de mais de 12 anos de espera pelo projeto.

A bacia da Foz do Amazonas integra uma das cinco bacias da Margem Equatorial. Se os estudos confirmarem reservatórios com escala comercial, a área pode ampliar a vida produtiva da estatal; o gerente executivo de Projetos Estruturantes, Wagner Victer, estima que a região poderia garantir ao menos quatro décadas de produção.

Fachada da sede da Petrobras. Foto: reprodução

Licenças do Ibama definirão ritmo das próximas perfurações

A Petrobras pediu ao Ibama autorização para perfurar mais três poços na região. A companhia considera a Margem Equatorial uma alternativa para repor reservas a partir da próxima década, período em que a produção do pré-sal tende a atingir seu pico e iniciar declínio.

O plano de negócios da empresa para 2026-2030 prevê US$ 2,5 bilhões destinados à Margem Equatorial e a perfuração de 15 novos poços. Antes de assumir integralmente o ativo de Morpho, a Petrobras comprou a participação que pertencia à BP, dona de 70% da área até 2021.

Para o professor Edmar Almeida, do Instituto de Energia da PUC-Rio, o licenciamento dos demais poços precisa avançar para que se conheça a dimensão dos recursos. Ele afirmou que a confirmação de uma província petrolífera exige atividade exploratória em escala maior e citou a experiência da Guiana, onde já foram perfurados mais de cem poços.

O analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, avaliou que a descoberta melhora a perspectiva exploratória da Petrobras, mas não altera, por ora, o preço-alvo ou a recomendação para as ações da empresa. “Uma precificação consistente exigiria evidências de escala comercial, boa produtividade e competitividade econômica”, afirmou.

Em junho, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis aprovou a indicação de 86 blocos da Margem Equatorial para futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão. A oferta efetiva dessas áreas ainda depende de análise ambiental e de manifestação conjunta dos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

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