Petróleo e El Niño levam Fazenda a prever inflação acima da meta

Atualizado em 15 de julho de 2026 às 21:20
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Ministro da Fazenda, Dario Durigan. Foto: Washington Costa/MF

O Ministério da Fazenda elevou de 4,5% para 5,1% a projeção para a inflação oficial de 2026. A nova estimativa supera o teto de 4,5% do sistema de metas, que tem centro de 3% e margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A revisão consta do Boletim Macrofiscal divulgado nesta quarta-feira (15). Na edição de maio, a Secretaria de Política Econômica ainda estimava que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terminaria o ano exatamente no limite superior da meta.

A Fazenda atribuiu a piora a uma combinação de pressões já observadas e riscos para os próximos meses. Serviços e bens industriais, com exceção do etanol, avançaram acima do esperado, enquanto o choque do petróleo ainda pode ser repassado aos preços pagos pelo consumidor.

O governo também espera alimentos mais pressionados no segundo semestre devido à possibilidade de um El Niño mais intenso. A alta de preços no atacado industrial e a deterioração das expectativas do mercado completam o quadro que levou à revisão.

inflação
Foto: Adriano Machado/Reuters

A Fazenda apontou, em contrapartida, fatores que podem limitar a inflação: valorização do real, juros elevados, medidas para conter os preços dos combustíveis e desaceleração da atividade econômica. A previsão média para o petróleo caiu de US$ 91,20 para US$ 79,20 por barril, com dados coletados até 6 de julho.

O boletim manteve em 2,3% a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto. A projeção da agropecuária subiu de 1,2% para 1,8%, a da indústria recuou de 2,2% para 2,1% e a dos serviços permaneceu em 2,4%.

As expectativas de mercado passaram a indicar uma taxa Selic de 14% no fim de 2026, ante 13% na projeção anterior. Para a Fazenda, o novo patamar aponta um processo mais lento de redução dos juros até o encerramento do ano.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!