
A Polícia Federal abriu nesta terça-feira (18) um inquérito para descobrir quem inseriu Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como filiado ao partido Missão às vésperas do registro de sua candidatura à Presidência. A apuração mira possíveis crimes de falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistema de informações.
A investigação não tem Flávio como suspeito. A ordem do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Nunes Marques, é para que a PF identifique quem realizou a inclusão, em quais circunstâncias e qual foi o contexto da alteração. O delegado responsável pelo inquérito já determinou que o presidente do Missão seja chamado para prestar esclarecimentos, presencialmente ou por escrito.
O caso começou na quinta-feira (13), quando Flávio apareceu no sistema da Justiça Eleitoral como desligado do PL e filiado ao partido de Renan Santos, seu adversário na corrida presidencial. A mudança impediu temporariamente o registro da candidatura pelo PL. Horas depois, Nunes Marques anulou a nova filiação e restabeleceu o vínculo de Flávio com seu partido desde novembro de 2021.
O TSE já descartou a hipótese de invasão hacker ao sistema. Segundo a Corte, o cadastro foi realizado por alguém que possuía credenciais da própria legenda para efetivar filiações e fez uso indevido da ferramenta. Nunes Marques determinou ainda a preservação dos registros e logs do sistema Filia para permitir a identificação do responsável.

O episódio foi além de Flávio. A análise interna do tribunal encontrou também uma tentativa de alterar a filiação do presidente Lula (PT), mas nesse caso a mudança não chegou a ser concluída. O TSE passou a verificar possíveis ocorrências semelhantes envolvendo outros candidatos à Presidência e chegou a suspender temporariamente o processamento de novas filiações partidárias.
O Missão afirma que também foi vítima da fraude e prometeu entregar às autoridades registros, e-mails e outros dados relacionados ao caso. A legenda já havia dito que não tinha interesse na entrada de Flávio em seus quadros. O TSE, por sua vez, considerou inverossímil uma migração voluntária do senador para um partido que já tinha Renan Santos como candidato ao Planalto.
A abertura formal do inquérito é o novo estágio de uma apuração que o TSE havia determinado na semana passada. Agora, caberá à PF reconstruir o caminho do cadastro, identificar quem utilizou as credenciais e determinar se houve participação de outras pessoas na alteração que, por algumas horas, retirou Flávio do PL no sistema eleitoral.