PF aponta que Willer Tomaz pagou para remover links sobre amizade com Flávio Bolsonaro

Atualizado em 20 de outubro de 2026 às 20:53
Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

Mensagens e documentos apreendidos pela Polícia Federal indicam que o advogado Willer Tomaz pagou para remover ou desindexar links de reportagens que o relacionavam ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois são investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob suspeita de lavagem de dinheiro, em inquérito relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. Com informações do Globo.

Os investigadores encontraram no celular de Tomaz conversas com um serviço que oferecia remoção de conteúdos negativos. O contato estava identificado com o número associado à empresa “Seu Nome Novo de Novo”, que promete proteção de reputação digital.

Uma planilha apreendida pela PF lista 12 links de notícias sobre o advogado e registra que a empresa teria removido os conteúdos. O relatório afirma que os elementos analisados indicam a contratação e a remuneração de um terceiro para retirar ou desindexar os endereços dos resultados de busca do Google.

Entre os títulos listados estavam conteúdos que citavam a amizade de Tomaz com Flávio Bolsonaro e uma reportagem sobre a presença do senador em cassinos e reuniões com operadoras em Las Vegas. As páginas relacionadas na planilha não estavam acessíveis quando foram consultadas.

Reprodução das mensagens de Willer Tomaz no WhatsApp. Reprodução

Mensagens indicam cobrança de R$ 9 mil pelos links

Nas conversas enviadas em outubro de 2025, um interlocutor não identificado pela PF informou que cobraria R$ 1 mil por remoção, o que totalizaria R$ 12 mil pelos 12 links. Ele ofereceu desconto porque uma cobrança anterior de R$ 3 mil por uma única página não teria impedido que o conteúdo voltasse a aparecer.

“Com isso, o valor final fica em R$ 9.000, representando uma vantagem para você”, escreveu o representante do serviço. A mensagem também dizia que o preço por link seria menor e que o pagamento anterior seria reaproveitado.

O inquérito no STF apura suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas esportivas. A PF afirma ter encontrado indícios de que Tomaz controla a Rede Loto, casa de apostas autorizada pelo governo do Rio de Janeiro a operar em maio de 2023.

Tomaz declarou que recorreu à Justiça contra o Google para desindexar “conteúdos antigos e desatualizados” e negou ter tentado se desvincular de Flávio Bolsonaro, a quem chamou de amigo. O senador não comentou especificamente os links e classificou a investigação como “fake news”; o advogado também afirma que não há irregularidades.

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