PF apura se amigo de Flávio repassou US$ 180 mil a investigado na Abin Paralela

Atualizado em 21 de outubro de 2026 às 22:51
Paulo Maurício Fortunato
Paulo Maurício Fortunato, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e o montante de R$ 180 mil encontrado na casa dele. Foto: Reprodução

A Polícia Federal investiga se o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Maurício Fortunato recebeu US$ 180 mil do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A suspeita é descrita em reportagem de José Marques e Thaísa Oliveira, publicada pela Folha de S.Paulo na quarta-feira (21). Willer nega qualquer pagamento, e Fortunato afirma que não conhece o advogado.

A hipótese surgiu após a análise de uma anotação armazenada na nuvem do celular de Willer. Segundo a PF, o registro menciona Fortunato, o valor de US$ 180 mil e a expressão “agosto/21”. Também aparecem os termos “corregedoria”, “diretor de operações” e “oficial de inteligência”.

Os investigadores relacionaram o conteúdo à apreensão de US$ 171,8 mil em espécie na casa de Fortunato, em outubro de 2023. Naquela operação, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do então dirigente da agência.

A própria PF ressalvou que a proximidade entre os valores não permite, isoladamente, estabelecer uma ligação entre a anotação e o dinheiro apreendido. Para a corporação, a menção expressa ao servidor constitui um elemento que justifica aprofundar a investigação.

A assessoria de Willer apresentou uma cronologia diferente para o registro. Segundo a defesa, a anotação foi feita em fevereiro de 2024, depois da apreensão dos dólares, e resume um caso levado ao escritório para avaliação. O advogado afirma que foi procurado para defender Fortunato, mas não aceitou a causa e não o conhece.

Flávio Bolsonaro Willer Tomaz
O advogado Willer Tomaz junto do candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Reprodução

Willer também negou que o documento registre pagamento, recebimento, promessa ou transação. Em nota à Folha, afirmou que jamais pagou, recebeu ou intermediou valores para Fortunato ou para pessoas e empresas ligadas a ele. A defesa sustenta que a anotação reúne apenas informações sobre o histórico funcional do interessado e um procedimento de corregedoria.

O advogado de Fortunato, Oscar Luis de Morais, também negou qualquer relação pessoal ou profissional do ex-dirigente com Willer. A defesa acrescentou que Fortunato não conhece Flávio Bolsonaro e nunca manteve relação pessoal ou profissional com o senador.

Fortunato foi diretor de operações da Abin durante a gestão de Alexandre Ramagem no governo Jair Bolsonaro. No início do governo Lula, ocupou a Secretaria de Planejamento e Gestão da agência. Em junho de 2025, foi indiciado pela PF no caso da Abin Paralela, sob suspeita de crimes como organização criminosa e violação de sigilo funcional, na apuração sobre o uso da estrutura de inteligência para monitorar ilegalmente adversários.

Willer e Flávio são investigados em outro inquérito, sob relatoria de Moraes, por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada a movimentações no setor de apostas. O senador pediu acesso à investigação sobre o advogado. A Folha informou que procurou a campanha de Flávio na terça-feira (20), mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!