PF: ataques a autoridades e jornalistas teriam sido ordenados via celular de Vorcaro

Atualizado em 8 de janeiro de 2026 às 18:31
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master – Reprodução

A Polícia Federal identificou indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro ordenou diretamente ações virtuais de influenciadores para defender o Banco Master, atacar autoridades públicas e criticar jornalistas. As informações constam de análise preliminar do telefone celular do empresário, apreendido no momento de sua prisão, em novembro, no âmbito da Operação Compliance Zero.

De acordo com a PF, mensagens encontradas no aparelho indicam que Vorcaro determinava a execução dessas ações a pessoas de seu entorno, que não integravam formalmente o quadro do banco. As orientações incluíam a promoção de conteúdos positivos sobre a instituição financeira e a realização de ataques virtuais contra figuras públicas consideradas, por ele, contrárias aos interesses do Master.

Os diálogos analisados são anteriores à decisão do Banco Central do Brasil que decretou a liquidação do banco, em 18 de novembro. O celular foi apreendido no dia 17 daquele mês. À época, já circulavam críticas ao BC em razão da demora na análise da venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), operação vetada pela autoridade monetária no início de setembro.

Fachada do Banco Central do Brasil. Foto: reprodução

Segundo investigadores, o padrão de atuação identificado nas mensagens é semelhante ao observado em ataques coordenados mais recentes contra o Banco Central, registrados na virada do ano, após a liquidação da instituição financeira. Essas ações envolveram perfis com grande alcance nas redes sociais.

Contratos firmados com influenciadores previam pagamentos que poderiam chegar a R$ 2 milhões, conforme informação publicada pelo jornal “O Globo”. Reportagem do Estadão revelou documentos com referência ao “Projeto DV”, iniciais de Daniel Vorcaro, além de cláusula de confidencialidade com multa de R$ 800 mil em caso de descumprimento. Um dos envolvidos no esquema atua como administrador de empresas ligadas ao jornalista Leo Dias.

A Polícia Federal elabora um relatório técnico consolidando os dados obtidos, classificado como informação de polícia judiciária. A partir desse documento, os investigadores vão avaliar se há elementos suficientes para a abertura de um novo inquérito. Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou.