
A Polícia Federal estuda recorrer a um mecanismo internacional da Interpol para ampliar as investigações sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e localizar possíveis bens mantidos fora do Brasil. A medida envolve a chamada difusão prateada, ferramenta criada para facilitar a cooperação entre países na identificação de patrimônios ligados a investigados por supostos crimes.
A iniciativa ainda depende de etapas formais. Para que o nome de Vorcaro seja incluído na difusão prateada, a Polícia Federal precisa encaminhar o pedido à Interpol, que fará uma análise técnica para verificar se os critérios exigidos pelo mecanismo foram atendidos. Até o momento, não há informação de que a solicitação tenha sido formalizada.
Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico e confirmadas pela CNN Brasil, o tema já foi discutido internamente pela Polícia Federal e também foi objeto de conversas com Valdecy Urquiza, secretário-geral da Interpol.
Investigadores avaliam que o instrumento pode ampliar a capacidade de localizar ativos e recursos eventualmente mantidos pelo ex-banqueiro em outros países. As apurações ocorrem no contexto da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo Vorcaro e pessoas ligadas ao seu grupo.
De acordo com informações publicadas pela imprensa, a PF também já teria demonstrado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), interesse em utilizar mecanismos de cooperação internacional para rastrear patrimônio fora do território brasileiro.

Criada em 2025 e ainda em fase piloto, a difusão prateada funciona de forma semelhante à difusão vermelha da Interpol, utilizada para comunicação de ordens de prisão internacional. A diferença é que o novo mecanismo tem como objetivo localizar bens, recursos financeiros e patrimônios associados a pessoas investigadas.
Caso o pedido seja aprovado, autoridades dos países integrantes da Interpol poderão compartilhar informações sobre imóveis, obras de arte, joias, participações societárias e outros ativos eventualmente registrados em nome do investigado. Dependendo da legislação local, também poderão informar a localização desses bens e colaborar com medidas de bloqueio determinadas pela Justiça.
Ao anunciar o lançamento da ferramenta, Valdecy Urquiza afirmou: “Privar criminosos e suas redes dos lucros ilegais é uma das formas mais poderosas de combater o crime organizado transnacional, especialmente considerando que 99% dos bens criminais não são recuperados. Ao focar nos ganhos financeiros, a Interpol trabalha para desmantelar redes criminosas e reduzir seu impacto nas comunidades ao redor do mundo.”
Paralelamente, a Polícia Federal mantém intercâmbio de informações com o Banco Central. Após a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro, a EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada como liquidante da instituição e passou a atuar judicialmente para localizar e tentar bloquear bens e ativos relacionados ao banco.