
A Polícia Federal avalia pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) o bloqueio de bens e contas bancárias do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a saída dele do Brasil quando recebeu intimação para entregar os passaportes. Os investigadores ainda analisam se adotam a medida em um segundo momento.
Flávio deixou o país na terça-feira (26) pela fronteira com a Argentina, embarcou em um jato particular com a mulher e as duas filhas e seguiu para os Estados Unidos, com parada no Equador. O senador pousou às 11h de quarta-feira (28).
A investigação considera que o parlamentar não entregou os documentos exigidos e teria desrespeitado uma ordem judicial que o proibia de sair do Brasil. A PF avalia as consequências dessa conduta antes de formalizar eventuais pedidos ao STF.
Entre os fundamentos em análise para o bloqueio patrimonial estão o poder econômico de Flávio Bolsonaro e a possibilidade de ele contar com apoio de aliados no exterior. A medida também pode alcançar valores mantidos em instituições financeiras.
Defeated Brazilian presidential candidate Flávio Bolsonaro and his family have landed in Miami after fleeing his country.
This comes a day after they were granted United States visas by the Trump administration. https://t.co/oB91ejWab5
— The Associated Press (@AP) October 28, 2026
PF investiga rota até a Argentina e uso de jato particular
Os investigadores apuram se empresários ou outros aliados ajudaram o senador a deixar o país. A PF busca reconstituir a rota usada até Misiones, na Argentina, e trabalha com as hipóteses de passagem por Santa Catarina ou pelo Paraná.
A corporação deve enviar um relatório ao STF com informações sobre o deslocamento, os contatos de Flávio Bolsonaro e a ligação dele com o avião particular usado na viagem. A identificação de quem financiou ou organizou o transporte está entre os pontos sob apuração.
O possível pedido de bloqueio também deve abordar a situação do advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo inquérito por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Tomaz deixou o Brasil e já teve bens bloqueados no valor de R$ 6 bilhões.
A PF trata com cautela a hipótese de pedir a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro. Investigadores avaliam que, embora ele tenha descumprido a ordem para entregar os passaportes, não houve violação de uma medida cautelar específica que justificasse o pedido imediato de prisão.