PF diz não encontrar indícios contra amiga de Lulinha em desvios do INSS

Atualizado em 25 de janeiro de 2026 às 10:09
Roberta Luchsinger, Lulinha e Priscilla Bittar. (Redes sociais/)

Um relatório recente da Polícia Federal indica que a empresária Roberta Luchsinger não apresenta, até o momento, vínculos com o esquema que desviou cerca de R$ 4 bilhões de aposentadorias do INSS. O documento integra a fase mais recente da Operação Sem Desconto, deflagrada em dezembro, e aponta que bens apreendidos na residência da empresária, em São Paulo, não tinham relevância para a investigação.

Segundo a PF, os objetos e documentos encontrados eram compatíveis com o padrão de vida da investigada e não revelaram indícios de conexão com as fraudes. O relatório ressalta que, numa análise preliminar, não foram identificadas relações diretas entre Roberta e o esquema criminoso que atingiu benefícios previdenciários de idosos em todo o país.

O texto também descreve o cumprimento do mandado de busca na casa da empresária. A diligência foi acompanhada por um advogado, que possuía as chaves dos ambientes fechados. Mesmo fora do endereço no momento da ação, Roberta colaborou com os agentes, fornecendo por telefone as senhas de cofres existentes no imóvel.

Ao fim da operação, a PF reteve apenas o passaporte da empresária, por determinação judicial que a impede de deixar a cidade de São Paulo. Ela passou a ser citada nas apurações por manter relação com o lobista Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como principal operador do esquema.

lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, coçando a cabeça, sério
O lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” – Reprodução

Além disso, Roberta é próxima da família do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mantém amizade com Fábio Luís Lula da Silva, que também aparece no inquérito. Lulinha foi citado em depoimento do executivo Edson Claro, ex-sócio do lobista, que afirmou que o filho do presidente recebia uma mesada de cerca de R$ 300 mil — acusação negada pela defesa.

Os vínculos comerciais entre Roberta e Antunes vieram à tona no ano passado, quando se revelou uma visita conjunta ao Ministério da Saúde para tratar da produção de medicamentos à base de cannabis. Apesar dessas conexões, o relatório da PF sugere que, até agora, não há elementos que liguem a empresária diretamente às fraudes investigadas.