PF encontrou ossada em fazenda de empresário que doou R$ 2 milhões a Flávio

Atualizado em 20 de outubro de 2026 às 20:08
Flávio Bolsonaro
Foto: Reprodução/TSE

O empresário Elói Vitório Marchett, que doou R$ 2 milhões à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), teve uma ossada humana encontrada pela Polícia Federal em uma de suas fazendas em novembro de 2003. O episódio foi recuperado pelo jornalista Paulo Motoryn, na newsletter Noites Húngaras, em levantamento que reúne reportagens antigas sobre investigações envolvendo o produtor rural de Mato Grosso.

Os restos mortais foram encontrados em 24 de novembro daquele ano na Fazenda São Gabriel, a aproximadamente 60 quilômetros de Rondonópolis. Segundo os registros recuperados, um advogado procurou a polícia após receber informações sobre um corpo enterrado na propriedade. Os agentes cumpriram um mandado de busca e localizaram a ossada no ponto indicado.

A diligência ocorreu no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de trabalho em condições análogas à escravidão. Entretanto, conforme reportagem do Diário de Cuiabá publicada na época, os policiais não encontraram indícios dessa prática durante o cumprimento daquele mandado. Os advogados de Marchett sustentaram que a morte poderia ter resultado de uma briga entre funcionários, sem conhecimento do proprietário.

Em 27 de novembro de 2003, o mesmo jornal informou que a PF ainda tentava identificar a vítima e buscava informações sobre trabalhadores que haviam deixado a fazenda. Os registros reunidos pela Noites Húngaras não apresentam evidências de participação de Marchett em crime relacionado à ossada nem esclarecem o desfecho daquela investigação.

Elói Vitório Marchett Flávio Bolsonaro
O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o empresário Elói Vitório Marchett. Foto: Arte/Noites Húngaras

Em 2007, o empresário voltou ao noticiário policial por causa da Operação Zaqueu. Segundo o levantamento de Motoryn, Marchett foi indiciado por contrabando e formação de quadrilha, em uma investigação sobre uma rede que atuava na fronteira entre Brasil e Paraguai. A Sementes Carolina, empresa de sua propriedade, era apontada como destinatária de agrotóxicos contrabandeados.

Reportagem publicada pelo Repórter News em 26 de junho de 2007 registrou que a Justiça Federal em Campo Grande havia bloqueado R$ 1 milhão de suas contas e decretado sua prisão temporária no dia 8 daquele mês. Na ocasião, o empresário era considerado foragido. A defesa buscava a revogação da prisão e argumentava que ele tinha residência fixa, família constituída e não possuía antecedentes criminais.

Marchett atua em negócios ligados à soja, sementes, pecuária e transporte de cargas. Neste segundo turno, aparece entre os financiadores da campanha de Flávio Bolsonaro. A contribuição de R$ 2 milhões foi feita em duas transferências de R$ 1 milhão, conforme reportagem de Felipe Salgado, do Metrópoles, citada por Motoryn.

O levantamento não informa o resultado definitivo do processo da Operação Zaqueu e não permite afirmar que Marchett tenha sido condenado pelos crimes investigados. Também não apresenta evidências de origem ilícita da doação ou de conhecimento de Flávio sobre os episódios.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!