
A Polícia Federal investiga se o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL), usou a própria mãe como laranja, segundo a coluna de Ancelmo Gois no jornal O Globo. A apuração reúne suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro que também alcançam o senador.
Investigadores apontaram que Tomaz movimentou R$ 130 milhões em três meses. O valor integra o conjunto de operações analisadas pela PF no inquérito sobre as atividades do advogado.
Tomaz construiu relações com políticos de diferentes grupos e se aproximou da família Bolsonaro ao longo dos anos. Ele também figura como um dos cotistas do avião usado por Flávio em uma viagem dos Estados Unidos para Brasília, em janeiro de 2025.

PF apura acesso antecipado a decisões do STJ
O advogado também é investigado por suspeitas de fraudes contra a Previdência. A corporação apura se Tomaz recebeu minutas de decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e manifestações do Ministério Público Federal (MPF) antes da publicação oficial.
Os investigadores suspeitam que documentos do STJ chegaram ao advogado por intermédio do procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares e de outros interlocutores. Soares era citado em 2019 por integrantes do entorno de Jair Bolsonaro como possível indicado à Procuradoria-Geral da República.
Naquele período, Simões Soares negava ligação com Flávio. A apuração trata a eventual circulação antecipada dos documentos como elemento relevante para esclarecer os contatos mantidos por Tomaz.
A PF avalia se o escritório de advocacia adaptava suas estratégias processuais ao conteúdo das minutas e manifestações obtidas antes de sua divulgação. As investigações seguem em curso.