PF investiga seis prefeituras do RN por suspeitas de desvios na saúde

Atualizado em 27 de janeiro de 2026 às 12:41
Dinheiro foi apreendido na casa de um dos sócios de uma empresa investigada. Foto: PRF/Divulgação

Seis prefeituras do Rio Grande do Norte entraram na mira da Polícia Federal por suspeitas de desvios de recursos públicos e fraudes em licitações na área da saúde. A investigação resultou em uma operação deflagrada nesta terça (27), com cumprimento de 35 mandados de busca e apreensão no estado.

As prefeituras investigadas são Mossoró, Serra do Mel, Tibau, Paraú, São Miguel e José da Penha, todas localizadas na região Oeste potiguar. Os mandados também foram cumpridos em Natal, Upanema e Pau dos Ferros, atingindo gestores públicos, secretários e empresários ligados às empresas contratadas.

Entre os alvos estão o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), o vice-prefeito Marcos Medeiros (PSD), o prefeito de São Miguel, Leandro do Rego Lima (União), o prefeito de Paraú, Júnior Evaristo (PP), além de secretários de José da Penha e o irmão do prefeito de São Miguel. Todos pertencem a partidos do campo da direita, associados ao discurso de “Pátria, Família e Deus acima de todos”.

O prefeito de Mossoró (RN), Allyson Bezerra, e o vice-prefeito, Marcos Medeiros. Foto: Divulgação

De acordo com a PF, a apuração se baseia em auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), que apontaram falhas na execução de contratos de fornecimento de insumos de saúde. Há indícios de compra de materiais não entregues, fornecimento inadequado e sobrepreço em contratos firmados com empresas sediadas no Rio Grande do Norte e que atuavam em diversos municípios.

Durante a operação, um empresário de Serra do Mel foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. A PF também confirmou a apreensão de dinheiro na casa de um dos sócios de empresa investigada, sem divulgar o valor. A Justiça determinou medidas cautelares contra empresários, incluindo fiança e uso de tornozeleira eletrônica.

Em nota, a defesa de Allyson Bezerra afirmou que a investigação não se confunde com a atuação pessoal do prefeito e que a decisão judicial ocorreu em fase investigativa, “sem qualquer juízo de culpa”. A Prefeitura de José da Penha alegou que os contratos foram firmados “dentro da legalidade” e que irá encaminhar toda a documentação à PF. Os demais municípios citados não se manifestaram.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.