O papel de Ibaneis Rocha nas negociações entre BRB e Master, segundo mensagens

Atualizado em 21 de outubro de 2026 às 6:14
Ibaneis Rocha, ex-governador do DF. Foto: reprodução

Mensagens extraídas pela Polícia Federal apontam que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), acompanhou as negociações entre o BRB e o Banco Master, conduzidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Os diálogos tratam do aumento de capital do banco público, da compra de carteiras de crédito e da tentativa de aquisição do Master pelo BRB.

Em uma proposta de delação premiada que ainda não foi aceita, Vorcaro afirmou que Ibaneis exigiu propina para viabilizar o negócio. O banqueiro disse ter adiantado cerca de R$ 80 milhões em dinheiro a Leonardo Valverde, apontado pela PF como homem de confiança do governador, dentro de um acordo que preveria R$ 400 milhões após a fusão das instituições.

A defesa de Ibaneis negou participação do governador nas decisões do BRB. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que a delação não foi aceita por não ter provas e declarou que Ibaneis dava liberdade ao então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, para tomar as medidas que considerasse necessárias.

Segundo o relato de Vorcaro, o acerto sobre pagamentos teria surgido após um almoço em sua casa, em Brasília, em setembro de 2024. Além de Ibaneis e Valverde, participaram do encontro o filho do governador, Caio Rocha, o secretário de Economia do DF, Ney Ferraz, e William Guimarães, apresentado como sócio do governador.

Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro. Foto: reprodução

BRB ampliou capital e comprou carteiras do Master

Depois das reuniões, Ibaneis autorizou o BRB a avançar com um aumento de capital de R$ 500 milhões, valor que subiu para R$ 750 milhões no mês seguinte. Fundos ligados ao Master entraram no capital do banco público, que comprou carteiras de crédito da instituição privada em operações que alcançaram R$ 9,5 bilhões até fevereiro de 2025.

As conversas entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa também indicam que as partes passaram a discutir a compra do Master pelo BRB, em vez de uma fusão. Em março de 2025, o banco anunciou a aquisição de 58% do Master, após reuniões que envolveram Ibaneis, Vorcaro, Valverde e o então presidente do BRB.

A negociação enfrentou obstáculos quando técnicos do BRB tentaram checar carteiras de crédito consignado compradas do Master. A equipe não conseguiu acessar dados de operações originadas por associações, e a Polícia Federal apura a suspeita de que parte dos empréstimos ligados à promotora Tirreno não existia.

O Banco Central vetou a operação entre BRB e Master em setembro de 2025. Dois meses depois, o órgão liquidou o Master, e Vorcaro foi preso; mensagens citadas pela investigação indicam que Paulo Henrique Costa ainda relatava cobranças de Ibaneis por documentos do banco privado no fim de setembro.

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