PF mira “doleiro moderno” ligado ao PCC e prende secretária sancionada pelos EUA

Atualizado em 3 de julho de 2026 às 12:57
Victor Shimada, sócio da Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda – Foto: Divulgação

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (03) a Operação Exchange, prendeu sete pessoas e mira o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, foragido da Justiça e suspeito de usar mais de 70 empresas para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas. Policiais federais envolvidos na investigação afirmam que ele atuava como um “doleiro moderno”.

Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que trabalhava com Shimada e também entrou na lista de sanções anunciada pelos Estados Unidos nesta quarta-feira (01). A PF informou que levaria todos os presos para a sede da corporação em São Paulo.

“São mais de 70 empresas investigadas neste caso. Essas empresas são usadas por ele para lavar dinheiro ou que lavaram dinheiro com ele”, disse um dos agentes que participam da investigação. Doleiros operam no mercado clandestino de câmbio e usam sistemas bancários ilegais para movimentar recursos do crime organizado.

A investigação aponta que Shimada usava o apelido de “o Japa” e Stella era chamada de “Lara Croft” para despistar autoridades. A acusação sustenta que ela organizava a coleta de dinheiro, enquanto ele fazia a ligação com traficantes associados ao PCC no Brasil.

Mandados, bloqueio de bens e métodos investigados pela PF

Agentes da PF – Foto: Divulgação / Polícia Federal

A Justiça expediu 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca em endereços na capital paulista, em Santos, em Praia Grande e em Santana de Parnaíba. Também determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante de R$ 10,4 bilhões.

A PF afirma que o grupo movimentava recursos por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. Os investigados poderão responder, em tese, por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

As sanções dos Estados Unidos bloqueiam bens dos alvos no país e alcançam empresas pertencentes, direta ou indiretamente, em 50% ou mais às pessoas punidas. O governo norte-americano classificou Shimada como “elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais” e o acusou de lavar mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos com uso de criptomoedas para enviar valores ao Brasil em nome da facção; Stella, segundo os EUA, atuava como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro e não tem antecedentes criminais nem responde a processos.

A defesa de Shimada afirmou que “tomou conhecimento, há instantes, da operação realizada pela Polícia Federal” e que ainda não teve acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentaram as medidas. “Nesse contexto, qualquer manifestação sobre os fatos ou sobre o objeto da investigação seria precipitada. Tão logo tenha acesso aos autos e às informações oficiais, a defesa realizará a análise técnica do caso e adotará as medidas jurídicas que entender cabíveis.”

No Brasil, Shimada também aparece na investigação sobre o suposto desvio de recursos do contrato entre Corinthians e VaideBet. O Ministério Público o denunciou por lavagem de dinheiro, e a acusação aceita pela Justiça cita movimentações da Victory Trading com a Wave Intermediações; o BV informou que identificou movimentações irregulares em agosto de 2024, comunicou as autoridades e atuou como assistente de acusação na ação penal.

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