Folha paralela: os R$ 48,5 milhões distribuídos entre conselheiros do TCE-MT, segundo a PF

Atualizado em 3 de novembro de 2026 às 8:55
Entrada do TCE-MT. Foto: reprodução

A Polícia Federal apontou que os sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) receberam R$ 48,5 milhões de uma suposta “folha paralela” entre janeiro e outubro de 2025. O inquérito integra a Operação Tomada de Contas, que levou à prisão preventiva do presidente da corte, Sérgio Ricardo de Almeida, na quinta-feira (29).

Os dados da PF indicam uma diferença entre os valores movimentados pelas contas do tribunal e a remuneração divulgada no Portal da Transparência. Enquanto o sistema registrava R$ 2,2 milhões para os sete integrantes no período, as movimentações identificadas pelos investigadores chegaram a R$ 48,5 milhões.

A corporação afirma que os pagamentos ocorreram por ordens bancárias avulsas e pelo canal usado para quitar fornecedores do tribunal. Sérgio Ricardo teria recebido R$ 15,4 milhões em dez meses, seguido por Guilherme Maluf, com R$ 10,6 milhões, José Carlos Novelli, com R$ 8,9 milhões, e Alisson de Carvalho Alencar, com R$ 8,1 milhões.

O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, autorizou a operação e determinou o afastamento de Maluf, Novelli e Alencar. Alencar atuava como procurador de contas à época dos fatos investigados.

Sérgio Ricardo de Almeida, presidente do TCE-MT
Sérgio Ricardo de Almeida, presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso. Foto: Reprodução

Conselheiros que permaneceram no cargo também são investigados

Outros três conselheiros que não sofreram medidas cautelares também constam da relação de pagamentos analisada pela PF. Waldir Teis, que assumiu a presidência após a prisão de Sérgio Ricardo, teria recebido R$ 1,5 milhão; Gonçalo Domingos de Campos Neto, R$ 3,1 milhões; e Antônio Joaquim Moraes Rodrigues Neto, R$ 2,3 milhões.

A PF classificou a situação desses três integrantes como “limítrofe” e afirmou que precisa aprofundar a apuração diante da “ordem de grandeza dos valores movimentados”. O Ministério Público Federal pediu a quebra dos sigilos bancários deles, embora nenhum tenha sido alvo de prisão ou afastamento nesta etapa.

A investigação começou após denúncia anônima que relatava que fornecedores do TCE-MT precisariam devolver parte dos pagamentos a um grupo ligado à presidência do órgão. O inquérito também examina emendas da Assembleia Legislativa de Mato Grosso registradas em nome de “lideranças partidárias”, sem indicação de autor específico.

Em 2025, o tribunal recebeu R$ 50 milhões dessas emendas, dos quais R$ 39,1 milhões foram destinados à rubrica de “indenizações”, a mesma usada nos pagamentos sob suspeita. Em 2026, os repasses somaram R$ 62,4 milhões, com R$ 33,1 milhões para a mesma finalidade; a PF informou que ainda apura como esses recursos entraram no orçamento e não atribuiu irregularidades a deputados específicos.

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