PF realiza nova prisão de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj

Atualizado em 27 de março de 2026 às 19:04
O deputado estadual cassado Rodrigo Bacellar. Foto: Divulgação

O deputado estadual cassado Rodrigo Bacellar foi preso em sua residência, em Teresópolis, na manhã desta sexta-feira (27), por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão ocorreu em cumprimento a um mandado judicial expedido pelo STF, e ele foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro.

A prisão está vinculada à ADPF 635/RJ, também conhecida como a “ADPF das Favelas”, que trata das obrigações determinadas pela sentença sobre a investigação de grupos criminosos. A operação, que também conta com a Operação Unha e Carne III, visa apurar atividades ilícitas envolvendo membros do Comando Vermelho e outros envolvidos em crimes no estado do Rio de Janeiro.

O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) já havia sido preso anteriormente, em dezembro do ano passado, durante uma investigação que envolvia o vazamento de dados confidenciais de uma operação contra o Comando Vermelho.

Na época, Bacellar foi solto dias depois, com a imposição de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. A prisão realizada nesta sexta-feira faz parte da continuidade da investigação sobre ele e outros envolvidos em práticas criminosas.

Além da prisão, também foi cumprido um mandado de busca e apreensão. A ação foi um desdobramento das apurações feitas pela Polícia Federal, no contexto da Operação Unha e Carne III, que busca desarticular grupos criminosos no Rio de Janeiro.

TH Joias e Rodrigo Bacellar. Foto: Reprodução

O caso dele foi agravado esta semana com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a cassação do mandato do deputado. A medida está relacionada ao escândalo envolvendo a Ceperj, que resultou na perda do mandato e na inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro.

A cassação de Bacellar implicará em uma recontagem dos votos das eleições de 2022 no Rio de Janeiro, podendo alterar a distribuição das cadeiras na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj).

A decisão do TSE inclui a exclusão dos votos recebidos por ele e a chamada “retotalização”, um procedimento que recalcula a distribuição das vagas de acordo com os votos válidos restantes. O impacto da decisão pode refletir diretamente no equilíbrio das cadeiras da Alerj e nos parlamentares eleitos nas últimas eleições estaduais.

No dia 16 de março, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Bacellar por envolvimento no vazamento de informações sigilosas, relacionadas a uma operação da Polícia Federal contra o Comando Vermelho.

Bacellar, junto ao ex-deputado TH Joias e outras figuras políticas e jurídicas, foi acusado de repassar dados confidenciais da operação para o principal alvo da ação, o deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias.

A PGR aponta que as informações vazadas para o Legislativo do estado do Rio de Janeiro vieram de um integrante do Poder Judiciário. A denúncia é parte de uma investigação mais ampla que busca identificar os responsáveis pelo comprometimento da operação e o envolvimento de políticos e autoridades na divulgação de dados sensíveis.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.