PF restaura mensagens apagadas no celular de Vorcaro ligadas a Toffoli

Atualizado em 11 de fevereiro de 2026 às 22:59
Dias Toffoli e Daniel Vorcaro. Foto: reprodução

A Polícia Federal (PF) recuperou mensagens apagadas do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que fazem referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. O aparelho estava protegido por senha, mas foi acessado pelos investigadores, que extraíram diálogos considerados relevantes para o avanço das apurações.

Segundo o Metrópoles, o conteúdo foi apresentado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, e indica possíveis novas frentes de investigação envolvendo pessoas com e sem foro privilegiado. O material está sob sigilo judicial.

Toffoli é o relator do inquérito que apura suposta fraude de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito adquiridas pelo Banco de Brasília (BRB) junto ao Banco Master, instituição que foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central.

Com base nas mensagens encontradas, a PF protocolou pedido de suspeição de Toffoli na relatoria do caso. Fachin determinou que o ministro se manifeste nos autos, que tramitam em segredo de Justiça. A informação sobre os diálogos apreendidos foi revelada por Daniela Lima e Fabio Serapião, do Uol.

Em nota, o gabinete de Toffoli declarou que “o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações”. A manifestação acrescenta que “juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”.

Fachada do prédio do Banco Master, no Itaim Bibi, em São Paulo. Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo

O ministro reafirmou nesta quarta-feira que o pedido da PF é baseado em “ilações”. Segundo interlocutores, ele está “absolutamente tranquilo” e prepara esclarecimentos formais ao presidente do Supremo. Antes de o requerimento ser encaminhado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou pessoalmente a Fachin as informações extraídas do celular de Vorcaro.

Um pedido semelhante já havia sido encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas o procurador-geral Paulo Gonet não deu andamento à solicitação. No Supremo, ministros avaliam que a prerrogativa para requerer suspeição seria da PGR, e não da PF.

Além das conversas encontradas no celular, vieram à tona informações sobre repasses financeiros ligados ao resort Tayayá. Toffoli afirmou a interlocutores que recebeu valores por ser sócio da empresa Maridt, vinculada ao empreendimento. Segundo o relato, ele integra há anos o quadro societário ao lado de familiares e os repasses ocorreram dentro dessa relação empresarial.

O nome do ministro não aparece em registros públicos da companhia porque a Maridt é uma Sociedade Anônima de capital fechado, modelo em que a identidade dos acionistas não é acessível a terceiros. Apenas dois irmãos constam formalmente como administradores.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.