
A investigação sobre o furto de amostras virais na Universidade Estadual de Campinas apura o destino do material retirado de um laboratório da instituição. Segundo a Polícia Federal, parte das amostras foi localizada em diferentes espaços dentro da própria universidade, enquanto outra parte foi descartada.
A professora Soledad Palamenta Miller, investigada no caso, foi presa em flagrante e liberada após audiência de custódia. As apurações indicam que ela teria utilizado sua posição para acessar áreas restritas, com auxílio de uma aluna de mestrado responsável por abrir laboratórios.
O desaparecimento das caixas com material foi identificado em 13 de fevereiro pelo Laboratório de Virologia Aplicada. A partir da constatação, investigadores apontaram que os itens foram retirados e transferidos para freezers de outros pesquisadores.
Também houve manipulação das amostras fora dos ambientes autorizados. Durante as buscas, equipes encontraram materiais em unidades como os laboratórios de Engenharia Metabólica e de Bioprocessos, de Cultura de Células e de Doenças Tropicais.

Parte das amostras foi localizada em lixeiras, com sinais de descarte irregular após manipulação. Os materiais recolhidos foram encaminhados para análise com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Os itens foram enviados ao Ministério da Agricultura para exames. A investigação considera crimes como furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.
A Justiça Federal concedeu liberdade provisória à investigada mediante pagamento de fiança. A decisão também determinou que ela não frequente os laboratórios da universidade durante o andamento do processo.
Em nota, a Unicamp informou que colabora com o inquérito e instaurou apuração interna. A professora possui patente relacionada a partículas imunomoduladoras semelhantes a vírus e atua na Faculdade de Engenharia de Alimentos desde 2025.