
O avanço da investigação sobre o Banco Master passa, agora, pelo conteúdo de celulares apreendidos pela Polícia Federal nas duas fases da Operação Compliance Zero. Em depoimento, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou ter “amigos de todos os Poderes” da República, mas se recusou a fornecer a senha do próprio aparelho, alegando receio de exposição de suas “relações pessoais e privadas”. Com informações do Globo.
Mesmo sem a colaboração do dono do Banco Master, a PF conseguiu extrair os dados do celular de Vorcaro, de parentes, de ex-sócios e também do investidor Nelson Tanure. O procedimento foi realizado em uma sala de acesso restrito do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, e o material já foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República.
A PF dispõe de ferramentas especializadas capazes de romper senhas e barreiras de segurança. Entre elas estão softwares de origem israelense e estadunidense, usados para acessar sistemas iOS e Android.
O conteúdo extraído, que estima contatos com nomes importantes de Brasília, será decisivo para definir se o inquérito permanece no Supremo Tribunal Federal (STF) ou se será remetido à primeira instância. Relator do caso, o ministro Dias Toffoli já indicou que a remessa poderá ocorrer após o encerramento das diligências.

A análise técnica envolve peritos escolhidos por Toffoli e integrantes da equipe do procurador-geral Paulo Gonet. A coordenação da extração ficou a cargo de Luiz Felipe Nassif, chefe do Serviço de Perícias em Informática da PF, especialista em grandes volumes de dados e inteligência artificial. Ele idealizou o Indexador e Processador de Evidências Digitais, ferramenta usada há mais de uma década pela corporação.
Antes da extração, os aparelhos foram isolados em recipientes metálicos que bloqueiam sinais eletromagnéticos, preservando a chamada cadeia de custódia. Em seguida, os celulares foram conectados aos sistemas de perícia digital. No caso do iPhone 17 Pro usado por Vorcaro, o processo tende a ser mais demorado devido às camadas adicionais de segurança.
Entre os dados de interesse estão grupos de WhatsApp mantidos pelo banqueiro, como o “MasterFictor”, criado poucos dias antes de sua prisão. À época, empresas ligadas ao grupo Fictor anunciaram a intenção de comprar as ações de Vorcaro no banco por R$ 3 bilhões, com suposto apoio de investidores de Dubai. Nesta semana, a Fictor Holding e a Fictor Invest pediram recuperação judicial para renegociar dívidas de R$ 4,2 bilhões.
Há ainda conversas que mencionam a gestora Reag e seu fundador, João Carlos Mansur, também investigados. Assim como o Master, a Reag teve liquidação decretada pelo Banco Central. Parte desse material chegou a ser enviada à CPI do INSS, mas teve o acesso suspenso por decisão judicial.
A PF também emprega técnicas avançadas para recuperar arquivos apagados, como o datacarving, que recompõe dados a partir de fragmentos no armazenamento bruto.