PF vê origem suspeita de R$ 17,7 milhões depositados para empresa de Virginia

Atualizado em 2 de junho de 2026 às 23:25
Virginia Fonseca
A influenciadora Virginia Fonseca. Foto: Reprodução/Instagram

A investigação da Polícia Federal sobre Virginia Fonseca tem uma ligação com Itajaí, no litoral norte de Santa Catarina. Segundo dados revelados pela revista Piauí, a Talismã Digital, empresa ligada à influenciadora e a Zé Felipe, teria recebido R$ 17,7 milhões em depósitos via Pix da AMP Pay Marketing, localizada no centro da cidade.

Os repasses teriam ocorrido em cinco transferências entre março e setembro de 2024. A AMP Pay Marketing, segundo a reportagem, estava enquadrada no Simples Nacional, regime destinado a empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. O volume das operações chamou a atenção em Relatórios de Inteligência Financeira analisados no contexto da CPI das Bets.

De acordo com a Piauí, o Santander apontou que a empresa aparentava não ter capacidade financeira para movimentar os valores identificados. A AMP Pay funcionaria em um box comercial em Itajaí, o que reforçou as dúvidas sobre a origem e a compatibilidade dos recursos transferidos.

A Polícia Federal apura a legalidade das operações financeiras realizadas por Virginia e empresas ligadas a ela. A investigação também busca verificar a origem dos recursos e eventual prática de crimes financeiros, fiscais e de lavagem de dinheiro. A existência dos relatórios, porém, não representa comprovação de crime.

Ilustrativa
Sede da AMP Pay Marketing dá em um endereço fantasma. Foto: Reprodução/Google Maps

O nome de Virginia entrou no centro das apurações após sua convocação à CPI das Bets, em maio de 2025. Na ocasião, ela negou lucrar com perdas de apostadores e afirmou que nunca recebeu valores além dos previstos em seus contratos de publicidade.

A reportagem também menciona a trajetória empresarial da Wepink, principal empresa de Virginia, fundada após Samara Cahanovich Martins e Thiago Stabile encerrarem sociedade na Pink Lash. A antiga empresa teria tido como sócia Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa do PCC” por ter sido casada com um integrante da facção.

Segundo a publicação, a Wepink faturou R$ 1,3 bilhão em 2025. Embora o relatório final da CPI das Bets tenha pedido o indiciamento de Virginia e de outras 15 pessoas, o parecer foi rejeitado pelo Senado. A influenciadora, no entanto, passou a ser investigada pela Polícia Federal.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.