PGR negocia delação premiada de Vorcaro, mas defesa do banqueiro nega

Atualizado em 12 de março de 2026 às 9:23
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) iniciou conversas preliminares sobre a possibilidade de um acordo de delação premiada envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As tratativas ainda estão em estágio inicial e, segundo apurações, não existe até o momento uma proposta definida sobre possíveis delatados ou o alcance de um eventual acordo. Com informações do UOL.

No momento, a prioridade da defesa do empresário é tentar reverter a prisão preventiva determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O caso será analisado pela Segunda Turma da Corte, que iniciará nesta sexta-feira (13) julgamento em plenário virtual para decidir se mantém ou não a detenção autorizada pelo ministro André Mendonça.

O advogado Pierpaolo Bottini, que representa Vorcaro, negou que existam negociações para uma colaboração premiada. “A posição da defesa é que não há discussão sobre delação neste momento”, afirmou.

Após a publicação da informação, a defesa reiterou o posicionamento em nova manifestação. “A defesa de Daniel Vorcaro declara que são inverídicas as notícias relacionadas à iniciativa de tratativas de delação premiada de Daniel Vorcaro”, disse.

“A informação jamais partiu de qualquer dos advogados envolvidos no caso, e sua divulgação tem o único objetivo de prejudicar o exercício da defesa nesse momento sensível”.

Paulo Gonet, procurador-geral da República. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

A prisão preventiva de Vorcaro foi decretada por Mendonça sob o argumento de que há risco de interferência nas investigações em andamento. Na decisão, o ministro afirmou haver “risco concreto de interferência nas investigações”.

O pedido de prisão partiu da Polícia Federal do Brasil e foi baseado em mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido durante a primeira fase da operação que investiga suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.

De acordo com a PF, os diálogos indicariam que Vorcaro teve acesso a documentos sigilosos de investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal. Os investigadores também apontaram mensagens em que o banqueiro solicitava monitoramento de adversários e mencionava possíveis ameaças de ações violentas.

Esta é a segunda vez que o empresário é preso no âmbito das investigações. A primeira detenção ocorreu em novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo–Guarulhos, quando ele tentava deixar o país.

Além da ordem de prisão, o ministro André Mendonça também determinou a abertura de um inquérito na Polícia Federal para apurar o vazamento de informações sigilosas relacionadas ao caso. Em outra decisão recente, o magistrado proibiu a gravação de conversas entre Vorcaro e seus advogados na Penitenciária Federal de Brasília, unidade para onde o banqueiro foi transferido.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.