
A Latam Airlines Brasil informou nesta quarta-feira (11) que demitiu o piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, preso após investigações apontarem que ele chefiava uma rede de abuso sexual infantil. A prisão ocorreu na manhã de segunda-feira (9), dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo.
Em nota, a companhia aérea afirmou que Sérgio “não faz mais parte do seu quadro de colaboradores. A companhia adota a política de tolerância zero para ações e atos que desrespeitem os seus valores, ética e código de conduta, permanecendo à disposição das autoridades para colaborar com as investigações”.
A empresa também declarou que “abriu apuração interna e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações” e que “repudia veementemente qualquer ação criminosa e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta”.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação durou cerca de três meses. O piloto é suspeito de levar crianças e adolescentes a motéis com documentos falsos, onde cometia abusos. A apuração indica ainda que ele recebia imagens das vítimas enviadas por mães, avós ou responsáveis, por meio do WhatsApp, em troca de dinheiro.
Segundo a delegada Ivalda Aleixo, chefe do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), a prisão no aeroporto ocorreu por dificuldade de localizar o suspeito em casa.
Um piloto da Latam foi preso no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, suspeito de integrar uma rede de abuso e exploração sexual de crianças. Identificado como Sérgio Antonio, de 60 anos, ele atuava há pelo menos oito anos no esquema. pic.twitter.com/kehk4MOYWP
— Ricardo Antunes (@blogricaantunes) February 9, 2026
“Ele tem uma residência em Guararema. Não conseguíamos saber quando ele estava voando ou não. Optamos por pedir a escala para a empresa e identificamos que ele faria um voo hoje. Quando chegamos no aeroporto por volta das 5h30, ele já estava lá. Quando começaram a fazer a chamada do voo, nós fomos perguntar e ele já estava no avião. Era uma forma de tentar localizá-lo”, contou.
A polícia afirma que o piloto se aproximava primeiro da mãe, avó ou responsável legal da vítima e depois deixava claro seu interesse. “Cada imagem recebida gerava pagamentos via Pix, geralmente de R$ 30, R$ 50 ou R$ 100. Em alguns casos, ele comprava medicamentos, pagava aluguel e houve até a compra de uma televisão”, disse a delegada.
Até o momento, dez vítimas foram identificadas no estado de São Paulo, mas o número pode ser maior. O celular apreendido contém indícios de vítimas em outros estados. “Além do consumo pessoal, há fortes indícios de que ele distribuía esse conteúdo para outras pessoas”, afirmou Ivalda.
A operação, batizada de Apertem os Cintos, investiga crimes como estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e exploração sexual de criança e adolescente. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em São Paulo e Guararema.
Segundo a polícia, “as provas colhidas até o momento mostram que os crimes investigados integram uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, com indícios de habitualidade, divisão de funções e atuação coordenada entre os envolvidos”.
A advogada do piloto, Claudia Apolonia, declarou ao G1: “Vou seguir a discrição no exercício de meu ofício, assim como os ditames legais , que implicam em segredo de justiça, dada a natureza das investigações”. O voo LA3900, que seria comandado por Sérgio, operou normalmente.