Pimenta cobra CPI do Master após ação da PF contra Ciro Nogueira

Atualizado em 8 de maio de 2026 às 6:17
O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta. Foto: Divulgação

O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), defendeu nesta quinta-feira (7) a criação de uma CPI e de uma CPMI para investigar as fraudes envolvendo o Banco Master após a nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, atingir o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Em publicação nas redes sociais, o deputado afirmou que o caso expõe “a intimidade do coração” do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro com o esquema investigado pela PF. Segundo o parlamentar, o Congresso Nacional precisa avançar nas apurações e evitar qualquer tentativa de barrar as investigações.

“Defendo que o Congresso Nacional deve dar uma resposta firme ao Brasil: não pode haver qualquer suspeita de conluio para abafar as investigações do Banco Master. A nova fase da Operação Compliance Zero revela a intimidade do governo Bolsonaro com o esquema ‘Bolso Master'”, escreveu.

“Banco Central, Ministério da Fazenda, Casa Civil, Previdência Social, INSS e até mesmo a Presidência da República parecem estar cercados por fraudadores. É hora de criar o CPMI no Congresso e o CPI na Câmara dos Deputados. O povo brasileiro merece transparência, investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos.”, afirmou Pimenta no X, antigo Twitter.

A operação realizada pela Polícia Federal teve como alvo Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro e presidente nacional do PP. Conforme a investigação, o senador teria recebido pagamentos mensais que chegariam a R$ 500 mil de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A PF também aponta suspeitas envolvendo benefícios financeiros e atuação parlamentar ligada aos interesses da instituição financeira.

Entre os pontos citados pela investigação está uma proposta para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Segundo a Polícia Federal, a medida favoreceria diretamente o Banco Master e fazia parte da estratégia defendida por Vorcaro junto ao Congresso Nacional.

Paulo Pimenta assumiu recentemente a liderança do governo na Câmara após José Guimarães (PT-CE) ser nomeado ministro das Relações Institucionais. A articulação do Palácio do Planalto ocorre em meio à resistência dos presidentes da Câmara e do Senado em autorizar novas comissões parlamentares de investigação sobre o caso.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, já declarou anteriormente que “nem se quissesse” abriria uma CPI sobre o Banco Master. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem evitado colocar em andamento os pedidos apresentados por parlamentares aliados e de oposição.

Nos bastidores do governo Lula, integrantes da base avaliam usar o avanço das investigações para desgastar adversários ligados ao bolsonarismo. Conforme informações divulgadas pela Folha, aliados do presidente pretendem associar o caso ao senador Flávio Bolsonaro, considerado um dos principais nomes do campo bolsonarista para a eleição presidencial.

Apesar disso, a expectativa no Palácio do Planalto é que Lula não faça declarações espontâneas sobre a operação neste momento. A estratégia do governo seria deixar o embate político concentrado em ministros, parlamentares e dirigentes partidários da base governista.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.