
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) completa, nesta segunda-feira (27), um mês em prisão domiciliar, em uma rotina mais confortável que a da Papudinha, mas marcada por forte isolamento e restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente cumpre a medida em sua casa, em um condomínio fechado no Jardim Botânico, área nobre de Brasília.
Bolsonaro foi transferido para a prisão domiciliar em 27 de março, após ficar internado por duas semanas no hospital DF Star com broncopneumonia bacteriana nos dois pulmões. A autorização foi concedida por Moraes pelo prazo inicial de 90 dias, por razões de saúde. Ao fim do período, o ministro deverá reavaliar os requisitos para manutenção da medida, com possibilidade de nova perícia médica.
Na residência, o ex-presidente voltou a conviver com Michelle Bolsonaro (PL), a filha Laura, de 15 anos, e a enteada Letícia Firmino. Ele está confinado ao lote, sem poder circular pelo condomínio, usar áreas comuns ou receber visitas sem autorização. Também deve usar tornozeleira eletrônica e está proibido de utilizar celular, internet ou redes sociais, inclusive por meio de terceiros.
No entanto, tem em sua casa algumas mordomias, como piscina, direito a filmes, preferindo o gênero de guerras, e televisão, optando por jogos de futebol e canais de notícias, segundo a Folha.
O golpista também ajuda Laura, sua caçula, em atividades escolares e convive com os cachorros da família, o que, segundo pessoas próximas, tem contribuído para melhorar seu humor. Relatório da Polícia Militar indica que ele não fez leituras em nenhum dia, embora essa atividade possa contar para remição de pena.

O livre acesso é permitido apenas a médicos e advogados. Os filhos que não moram na casa, Flávio (PL-RJ), Carluxo (PL) e Jair Renan (PL-SC), podem visitá-lo às quartas e aos sábados, por até duas horas. Visitas de amigos e políticos, antes autorizadas na Papudinha mediante agendamento, foram proibidas após a transferência.
A defesa tentou obter “livre acesso” dos filhos à residência, mas Moraes negou. O ministro afirmou que “a substituição do local de cumprimento da pena não se confunde com a progressão para um regime mais brando”. Todos os visitantes são revistados e precisam entregar celulares à segurança. A equipe médica não tem restrição.
Aliados afirmam que a prisão em casa melhorou os cuidados com a saúde de Bolsonaro, mas agravou o isolamento. “Os cuidados melhoraram, e isso é real e importante. Mas o isolamento piorou, e isso também é real. […] É uma limitação que vai além do razoável e que o afeta profundamente, assim como afeta toda a família. O sentimento de injustiça não é retórica. É o que se vive na prática, semana a semana. E esse peso, infelizmente, não está sendo pequeno”, disse o advogado João Henrique de Freitas à Folha.
Michelle também passou a enfrentar impacto direto na rotina. Segundo aliados, a ex-primeira-dama se afastou do comando do PL Mulher, reduziu viagens políticas e deixou em segundo plano a própria pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Ela administra remédios de Bolsonaro em seis horários diferentes, com ajuda da filha Letícia.
A defesa pediu autorização para que Eduardo Torres, irmão de Michelle, pudesse frequentar a casa e auxiliar nos cuidados, mas Moraes negou. “Eu não sou enfermeiro ou cuidador de idosos, sou alguém de dentro de casa que já fazia essa relação com os médicos e cuidava da medicação. Seria importante para a ausência da Michelle quando ela tivesse agendas do partido”, disse Torres.