
O PL corre risco de perder prioridade na divisão das comissões permanentes da Câmara caso fique fora do blocão que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), articula sua reeleição em 2027. Mesmo com 121 cadeiras conquistadas nas eleições de 2026, a maior bancada individual, o partido pode ficar atrás de alianças mais numerosas na escolha dos colegiados.
A disputa envolve comissões estratégicas, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que analisa a constitucionalidade e a juridicidade de grande parte das propostas em tramitação. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) já demonstrou interesse em presidir o colegiado.
A federação formada por PT, PCdoB e PV, com 88 deputados, ameaçou deixar o blocão se o PL e o Novo entrarem na aliança. Em conversa com Motta, representantes da federação condicionaram sua permanência à exclusão das duas siglas.
Motta avisou que consultará os partidos que já apoiam sua candidatura antes de decidir sobre a entrada de novas legendas. O presidente da Câmara precisa conciliar os interesses das siglas que formam sua base com os partidos que ainda tentam obter espaço na composição.

Blocos maiores ganham preferência na escolha dos colegiados
O Regimento Interno da Câmara determina que a composição das comissões respeite, tanto quanto possível, a proporcionalidade partidária. A regra considera o tamanho das bancadas e dos blocos parlamentares para distribuir vagas e definir a ordem de escolha das presidências.
Na prática, partidos reunidos em uma aliança somam seus deputados e ganham mais força para selecionar primeiro quais comissões querem comandar. Esse critério pode reduzir a influência do PL, caso a legenda negocie isoladamente.
O bloco articulado por Motta pode ultrapassar 360 deputados e reúne partidos de diferentes espectros, entre eles PT, Republicanos, MDB, PSD, União Brasil, PP e Podemos, além de outras siglas e federações. A dimensão da aliança lhe daria vantagem na disputa pelos colegiados mais cobiçados.
Se permanecer fora do grupo, o PL poderá cair para o fim da ordem de preferência na definição das presidências. Com isso, o partido enfrentará mais dificuldades para comandar comissões como a CCJ, Saúde, Educação, Finanças e Tributação e Segurança Pública.