
Três em cada quatro políticos eleitos pelo PL ignoraram a carta de Flávio Bolsonaro que questiona o resultado da eleição presidencial e alega fraude nas urnas. Levantamento do Globo entre 155 parlamentares e governadores escolhidos pelo partido aponta que 117 não compartilharam nem defenderam o documento, o equivalente a 75% do total. Ou seja, rechaçaram a segunda aventura golpista do clã, visto os problemas decorrentes da primeira iniciativa, entre o 2o turno e o 8 de janeiro de 2022, após a posse de Lula.
Outros 38 eleitos manifestaram apoio ao conteúdo da carta. O universo analisado reúne 121 deputados federais, 28 senadores e seis governadores, com base em vídeos e publicações nas redes sociais após o segundo turno.
Flávio divulgou o texto após descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes. Na carta, ele alegou fraude sem apresentar indícios e se chamou de “verdadeiro presidente eleito”.
Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva por 4,4 milhões de votos, o senador trocou a expressão por “líder do Brasil” depois de pressão de aliados. Ele manteve os questionamentos ao resultado eleitoral.
🚨 Em carta, Flávio se declara “verdadeiro presidente eleito do Brasil”
O senador Flávio Bolsonaro publicou uma carta, nesta quarta-feira (28/10), após fugir para os Estados Unidos. No comunicado, ele se apresenta como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” https://t.co/okbDH7ZvEz
— Metrópoles (@Metropoles) October 28, 2026
Eleitos do PL se dividem sobre o resultado da eleição
O levantamento também apontou que 86% dos eleitos do PL não reconheceram publicamente a vitória de Lula. Esse grupo, porém, inclui políticos que não se pronunciaram sobre a eleição e não necessariamente aderiram à tese de fraude.
O senador Marcio Bittar, os deputados André Fernandes, Major Vitor Hugo e Rosangela Moro estão entre os que reconheceram o resultado. Ex-líder do governo Bolsonaro na Câmara, Major Vitor Hugo afirmou que o reconhecimento pelas instituições e a diferença de votos tornam uma reversão improvável: “Foram mais de quatro milhões de votos de diferença e é muito difícil haver uma reversão deste resultado”.
André Fernandes também recusou alimentar contestações às urnas. “O resultado foi esse. Eu não vou aqui falar sobre urna, golpe, não vou falar sobre isso”, declarou. Na outra ponta, os senadores Magno Malta e Jorge Seif, o senador eleito Gustavo Gayer e os deputados José Medeiros e Nikolas Ferreira endossaram ou repercutiram a carta.
Dirigentes do PL temem que novas acusações de fraude desgastem a legenda e dificultem a reorganização da oposição no Congresso. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, criticou a carta e disse que ela não teve aprovação da sigla, enquanto Flávio planeja viajar a Washington para buscar interlocução com integrantes do governo de Donald Trump, entre eles o secretário de Estado Marco Rubio.