
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve telefonar nos próximos dias para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar da decisão da administração republicana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a medida unilateral não é reconhecida pelo Brasil, que considera as facções como organizações criminosas.
Entre os temas da conversa deverão estar preocupações com possíveis impactos econômicos da decisão, especialmente sobre fintechs e sistemas de pagamento brasileiros, como o PIX. Durigan disse à Globonews que “a medida unilateral não pode afetar a economia brasileira, fintechs ou sistemas de pagamento como o PIX”.
O entorno do presidente, entretanto, expressou divergências sobre o momento da ligação. Parte da equipe se manifestou contrária a uma conversa imediata com Trump, indicando cautela diante do cenário político interno e internacional. Em entrevista ao jornal O Globo, Durigan evitou detalhar o conteúdo do telefonema.

A ação acontece às vésperas das eleições em que Lula tentará um quarto mandato. O presidente pretende utilizar a diplomacia com integrantes do governo Trump enquanto mantém um discurso sobre soberania e sobre a suposta interferência indevida dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil.
Em comunicado divulgado na sexta-feira, 29, o Planalto criticou a decisão americana e apontou que a segurança da população não pode ser manipulada politicamente. A nota afirma: “A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”.