Governo Lula avalia risco de novas sanções dos EUA após fuga de Flávio

Atualizado em 28 de outubro de 2026 às 13:26
Trump publica foto ao lado de Flávio Bolsonaro, na Casa Branca. Foto: Divulgação

O governo Lula trabalha com a hipótese de que Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro tentem usar a permanência nos Estados Unidos para pressionar o Brasil por meio de tarifas comerciais e sanções individuais, medidas que dependeriam do apoio do presidente Donald Trump. Integrantes do Palácio do Planalto, porém, não enxergam uma ofensiva imediata dos irmãos. Com informações da Janaína Figueiredo no UOL.

Uma fonte oficial resumiu a avaliação do governo: “eles estão se enforcando sozinhos, não precisamos fazer nada. Hoje, não vemos margem para escalada do lado americano em parceria com os Bolsonaro”. O Planalto considera que a viagem de Flávio pode ter efeito político negativo para o próprio senador e abrir espaço para outros nomes da direita.

Tarifas e sanções aparecem como os instrumentos mais prováveis em uma eventual atuação coordenada com a Casa Branca. O governo brasileiro acompanha a possibilidade de intensificação de medidas já adotadas pelos Estados Unidos desde julho de 2025, sem antecipar uma reação pública de maior confronto.

Assessores de Lula defendem calibrar as respostas tanto aos Bolsonaro quanto a Trump. A leitura no governo é que Lula saiu fortalecido das eleições e que uma associação mais explícita entre os irmãos e iniciativas contra o Brasil pode reduzir a força política do grupo no país.

O Planalto também mantém atenção sobre a situação da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, que teve o visto revogado em 4 de agosto. Ela não pode deixar os Estados Unidos porque não conseguiria retornar ao país com o documento cancelado.

Autoridades americanas atribuíram a medida à demora do Brasil em conceder o agrément para Daniel Pérez, indicado por Trump para comandar a embaixada dos Estados Unidos em Brasília. O governo brasileiro decidiu adiar a autorização antes das eleições, embora verificações iniciais não tenham identificado impedimentos na trajetória do indicado.

A Casa Branca chegou a sinalizar que novos atritos poderiam levar à declaração de Viotti como persona non grata, o que exigiria sua saída dos Estados Unidos. O governo Lula não trata esse desfecho como iminente, mas mantém o cenário sob monitoramento diplomático.

Trump afirmou que a eleição brasileira “pareceu uma eleição fraudada”, mas evitou responsabilizar Lula e declarou: “Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele”. O Planalto não espera um engajamento direto do presidente americano nas acusações de fraude levantadas por Flávio e Eduardo Bolsonaro, embora avalie que o secretário de Estado, Marco Rubio, possa adotar posição mais dura.

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