
Integrantes do governo Lula avaliam que a renúncia apresentada pelo presidente do Paraguai, Santiago Peña, representa um revés para a influência de Donald Trump na América do Sul. O Planalto acompanha a crise e teme que a turbulência política no país vizinho se prolongue, segundo O Globo.
Um auxiliar de Lula disse que, até aqui, a perspectiva de mudança no comando paraguaio não deve afetar as relações com o Brasil. A fronteira entre os países e os negócios em comum, em especial a parceria na hidrelétrica de Itaipu, estão entre os pontos de atenção caso a crise se agrave.
Peña estava entre os governantes sul-americanos mais alinhados à gestão de Trump, ao lado do presidente argentino Javier Milei. Na avaliação de auxiliares do governo brasileiro, a saída de um interlocutor próximo da Casa Branca enfraqueceria a articulação regional do governo americano.

A sucessão segue indefinida. O Congresso paraguaio suspendeu a sessão que analisava a renúncia nesta quinta-feira (5), depois que a saída de parlamentares governistas derrubou o quórum. A deliberação foi adiada para sexta-feira (6). A Câmara dos Deputados do Paraguai havia aprovado a abertura do processo de impeachment de Peña, que será analisado pelo Senado.
Peña apresentou a renúncia após o agravamento da crise do Ueno Bank. A intervenção do Banco Central na instituição deixou correntistas sem acesso a recursos e levou a protestos no país.
O vice-presidente Pedro Alliana é do Partido Colorado, a mesma legenda de Peña. Segundo auxiliares de Lula ouvidos por O Globo, a continuidade partidária reduz a expectativa de mudança imediata no rumo do governo paraguaio.