
Uma pesquisa interna encomendada pelo PT de São Paulo em dezembro apontou que a estratégia mais competitiva para enfrentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na eleição de outubro passa pela formação de uma chapa ampla, reunindo quatro ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento, realizado para orientar o planejamento eleitoral do partido, indica que a união de nomes com forte reconhecimento nacional teria potencial para tensionar o cenário e reduzir a vantagem do atual governador.
Segundo a Folha, o partido entende que, de acordo com o desenho discutido internamente, a chapa seria composta por Fernando Haddad (PT), Simone Tebet (MDB), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSB), ministro do Desenvolvimento além de ocupar a vice-presidência.
A ideia é que esses quatro ocupem, respectivamente, as vagas de governador, vice-governador e duas candidaturas ao Senado. Para isso, todos teriam de deixar os ministérios até o início de abril, prazo legal para desincompatibilização, com exceção de Alckmin, que poderia permanecer como vice-presidente da República.
A composição, no entanto, ainda está longe de ser fechada. Ela depende de negociações complexas com partidos aliados e de possíveis mudanças de legenda. Simone Tebet, por exemplo, teria de deixar o MDB, enquanto Marina Silva já sinalizou sua saída da Rede. Além disso, Haddad e Alckmin resistem à ideia de disputar o governo paulista, segundo relatos de interlocutores do partido, o que adiciona incertezas ao plano.

A direção estadual do PT avalia que o cenário revelado pela pesquisa é promissor. “Essa é uma configuração que tem condições de incomodar muita gente no campo adversário”, afirmou o presidente do diretório paulista do partido, Kiko Celeguim, responsável por encomendar o levantamento.
Os dados não foram divulgados publicamente porque a pesquisa não foi registrada na Justiça Eleitoral, mas, segundo Celeguim, indicam fragilidades relevantes do governador.
Na avaliação do dirigente, o estudo mostra que Tarcísio enfrenta dificuldades para consolidar uma identidade própria de governo. “Os dados mostram falta de identidade das marcas do governo Tarcísio. Ele basicamente é identificado pelo seu bolsonarismo”, disse Celeguim.
Para ele, essa dependência explica movimentos recentes do governador, como a decisão de remarcar uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. “Isso explica por que ele recuou rapidamente e remarcou sua visita a Bolsonaro na prisão. Se ele perder o apoio do ex-presidente, ele derrete”, afirmou.