Plano dos Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz poderia levar semanas, segundo Israel

Atualizado em 23 de março de 2026 às 8:43
Homem recolhe pertences em Arad, no sul de Israel, após um míssil iraniano destruir sua casa neste domingo (22) AP – Ohad Zwigenberg

Por Henry Galsky, na RFI 

Em Israel, segundo a imprensa local, a mensagem de Washington ao governo israelense é que o plano operacional dos Estados Unidos para liberar a passagem estratégica deve levar mais tempo do que o esperado, podendo chegar a semanas. Se isso se confirmar, a guerra deve se prolongar, de acordo com avaliação transmitida pelos EUA a Israel.

Durante a madrugada, os Estados Unidos realizaram ataques contra alvos no litoral do Irã. A avaliação israelense é que essas ações tiveram como objetivo enfraquecer as defesas iranianas no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.

Já na manhã desta segunda, a imprensa iraniana informou que uma pessoa morreu em um ataque contra uma estação de rádio. No noroeste do país, um prédio residencial foi atingido e desabou, deixando moradores sob os escombros. As autoridades locais seguem tentando localizar sobreviventes.

Moradores observam prédios danificados após ataque com míssil iraniano em Arad, no sul de Israel, neste domingo (22) AP – Ohad Zwigenberg

Ataques no sul de Israel

A RFI esteve em Arad, no sul de Israel, onde um míssil iraniano com 450 quilos de explosivos atingiu diretamente um conjunto de prédios onde viviam 800 pessoas. A destruição é extensa, mas não houve mortos. Os ataques iranianos a Arad e Dimona, também no sul, deixaram quase 200 feridos, 12 deles em estado grave, segundo a Estrela de David Vermelha.

Autoridades do Exército têm buscado preparar a população para a continuidade do conflito. Em pronunciamento, o chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, disse que a guerra deve prosseguir até Pessach, a Páscoa judaica, que começa em 1º de abril e vai até o dia 8.

O porta-voz do Exército, Effie Defrin, afirmou que a expectativa é de “mais semanas de combates contra o Irã e o Hezbollah”. A RFI apurou que a avaliação militar de Israel é que o confronto no Líbano contra o Hezbollah deve se estender por mais tempo do que a guerra contra o Irã. O objetivo israelense é eliminar de forma definitiva todas as capacidades militares da milícia xiita libanesa.

Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, durante discurso no National Press Club, em Canberra, na Austrália, nesta segunda-feira (23 AP – Lukas Coch

Crise de energia

A situação no Estreito de Ormuz e a crise de energia levaram o diretor da AIE (Agência Internacional de Energia), Fatih Birol, a alertar sobre a gravidade da situação. Segundo ele, “até agora, perdemos 11 milhões de barris por dia, mais do que as duas grandes crises do petróleo dos anos 1970 somadas”.

Na prática, o Estreito de Ormuz está praticamente fechado desde o início da guerra, com o trânsito de mercadorias tendo caído 95%, de acordo com a empresa de análise Kpler. Apenas um pequeno número de cargueiros e petroleiros conseguiu atravessá-lo. Normalmente, 20% da produção mundial de hidrocarbonetos passa pelo local.

“Nenhum país ficará imune aos efeitos desta crise se ela continuar nesse caminho. É, portanto, necessário agir em escala mundial”, declarou Birol, classificando a situação como uma “ameaça maior” para a economia global.

Na tentativa de conter a disparada do preço do petróleo, os Estados Unidos autorizaram na sexta-feira, por um mês, a venda e a entrega do petróleo iraniano que estava a bordo de navios. Mas Teerã afirmou não ter nenhum excedente de petróleo bruto no mar.

Além do bloqueio do estreito e do fato de Teerã atacar navios que cruzam o Golfo, diversos pontos de infraestrutura energética dos países da região estão sob fogo iraniano. Segundo o chefe da AIE, ao menos 40 instalações energéticas foram “gravemente ou muito gravemente danificadas” em nove países devido à guerra desencadeada em 28 de fevereiro pelos ataques americano-israelenses contra o Irã.

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