PM de Doria age como tropa bolsonarista e dispersa manifestação pacífica e democrática na Paulista

A PM avança para abrir caminho aos bolsonaristas
Protegidos pela PM, bolsonaristas comemoram

A Polícia Militar de São Paulo dispersou com bombas de gás os manifestantes pró-democracia que ocupavam a avenida Paulista.

As TVs mostraram que o protesto no vão livre do Masp era pacífico.

Alguns metros adiante, na direção da praça Oswaldo Cruz, no bairro do Paraíso, estavam apoiadores de Jair Bolsonaro.

Uma mulher, com um lenço com as cores da bandeira dos Estados Unidos preso na boca, como máscara, caminhou com bastão na direção dos manifestantes pró-democracia.

A imagem mostrou um PM protegendo-a e a escoltando para que voltasse.

Alguns minutos depois, a tropa de choque apareceu e fez o que a mulher do bastão, aparentemente, desejava.

Com bombas, foi para cima dos manifestantes pró-democracia.

João Doria, governador de São Paulo, já foi ameaçado de morte por colegas da senhora do bastão. Ele está de acordo com o que a PM está fazendo na Paulista?

Vergonha.

O governador de São Paulo, que se elegeu na onda do bolsonarismo e depois rompeu com os extremistas, tem a obrigação de trocar o comando desta ação violenta por parte da PM, sem nenhuma necessidade, como mostraram as imagens da TV.

Os manifestantes antifascistas tinham como grito ordem “democracia” e “pela vida”.

Na última quinta-feira, o líder dessa manifestação, Danilo Pássaro, deu entrevista ao DCM TV, em que falou como seriam as manifestações.

“Pacíficas, pela democracia”, disse ele. Danilo é da Gaviões da Fiel, do Corinthians, mas, como explicou, a organização do protesto não estava vinculada à torcida organizada.

No protesto de hoje, estavam torcedores de outros clubes, especificamente Palmeiras, São Paulo e Santos. Também participavam representantes de movimentos sociais e pessoas avulsas.

A PM contou hoje com o reforço do repórter da Globonews Gabriel Prado, com uma narração que poderia ser feita por Eduardo Bolsonaro.

“Os torcedores intimidam os policiais militares, com pedras e rojões”, afirmou. Mas as imagens mostravam os policiais avançando e os manifestantes recuando. A certa altura, os manifestantes revidaram.

“Estão dificultando a vida dos PMs”, narrava o repórter da Globonews.

Uma vergonha. Gabriel Prado deveria vestir o uniforme da PM ou a camisa da Seleção Brasileira, com um bastão na mão em vez de microfone.

Na entrevista ao DCM, Danilo Pássaro — questionado de que policiais militares já deram demonstração de que apoiam os manifestantes fascistas —, disse que sabia disso, mas não se intimidaria. “Temos que defender a democracia e a vida”, comentou. “De maneira pacífica”, disse, mais de uma vez.

E foi mesmo. Até que a tropa de choque começou a atirar bombas de gás.

Não houve confronto entre manifestantes pró-democracia e bolsonaristas. Estes estavam representados pela PM de Doria.

Um representante da PM deu entrevista à Globonews — não ao repórter pró-PM Gabriel Prado, mas a jornalistas críticos, como Natuza Nery e Júlia Duailibi — e disse que reagiu a pedradas que teriam sido atiradas por manifestantes pró-democracia. As imagens não mostraram nenhuma pedra sendo atirada em direção à PM até que bombas da PM começaram a explodir.

Atrás dos PMs, manifestantes pró-Bolsonaro comemoravam a ação dos policiais.

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Veja a live com Danilo Pássaro, em que ele falou do caráter pacífico das manifestações:

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