Poder de compra dos alimentos supera nível do governo Bolsonaro

Atualizado em 5 de outubro de 2026 às 13:02
Pessoas empurram carrinhos em corredor de supermercado com pacotes de arroz nas prateleiras
Clientes empurram carrinhos em corredor de supermercado com prateleiras de alimentos e placas de preços. Foto: Reprodução

O poder de compra dos alimentos melhorou em relação ao fim do governo Jair Bolsonaro: em agosto, o salário mínimo comprava 1,8 cesta básica em São Paulo, alta de 11,3% ante as 1,62 cestas de agosto de 2022. O indicador ainda ficou cerca de 13% abaixo da média observada antes da pandemia, segundo a Folha de S.Paulo.

O cálculo considera o salário mínimo de R$ 1.621 e o custo de R$ 900,59 da cesta básica na capital paulista. O levantamento do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, compara o número de cestas que podem ser adquiridas com o piso nacional e com a renda média do trabalho às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para este domingo (4).

Em agosto de 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) disputava a reeleição, o mínimo era de R$ 1.212 e a cesta básica em São Paulo custava R$ 749,78. Lula (PT) retomou a política de valorização real do salário mínimo a partir de 2023, mas os rendimentos não compensaram toda a alta acumulada dos alimentos desde o choque provocado pela pandemia.

Entre 2010 e 2019, o salário mínimo permitia comprar, em média, 2,07 cestas básicas na capital paulista. O melhor resultado da série, iniciada em 1998, ocorreu em março de 2012, quando o piso equivalia a 2,28 cestas.

Lula e Jair Bolsonaro durante debate em 2022. Foto: Estadão Conteúdo

Renda média também supera 2022, mas não recupera nível anterior à pandemia

O cenário se repete na comparação com o rendimento habitual de todos os trabalhos. No trimestre encerrado em agosto, a renda média mensal chegou a R$ 3.777, quantia suficiente para comprar 4,07 cestas básicas, considerando o preço médio de R$ 927,02 no período em São Paulo.

O resultado representa avanço de 15% sobre agosto de 2022, quando a renda média equivalia a 3,54 cestas. Ainda assim, o indicador ficou aproximadamente 15% abaixo da média de 4,82 cestas registrada entre 2010 e 2019, com dados de rendimento do IBGE.

A cesta pesquisada pelo Dieese reúne 13 itens: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga. Não existe uma média nacional para o preço desse conjunto de produtos, por isso o levantamento usa os valores de São Paulo para medir a capacidade de compra.

As projeções de Imaizumi indicam que tanto o salário mínimo quanto a renda do trabalho devem permanecer abaixo da média pré-pandemia até dezembro de 2027. Analistas apontam o El Niño como risco para a inflação de alimentos no fim de 2026, pois alterações no regime de chuvas podem afetar a produção agropecuária e elevar os preços ao consumidor.

Diario do Centro do Mundo
O Diário do Centro do Mundo (DCM) é um portal brasileiro de jornalismo digital fundado em 2013. O site publica notícias e análises sobre política, economia, cultura, mídia, comportamente -- tudo o que é relevante, no Brasil e no exterior