Polícia de São Paulo em estado de guerra: ordem para matar PMs da Rota partiu do PCC. Por Daniel Trevisan

Cabo Fernando Flavio Flores, da Rota, e ladrões de banco mortos em Guararema

O assassinato do cabo Fernando Flavio Flores, da Rota, uniu os policiais em São Paulo. Deixando de lado a conhecida rivalidade com os policiais militares, policiais civis se reuniram nesta manhã em frente ao DEIC, em São Paulo, de onde saiu uma grande carreata para o cemitério onde seria sepultado o policial.

“Foi uma iniciativa dos policiais, não houve ordem superior”, disse um delegado que participou da concentração.

A causa dessa a mobilização é a descoberta de que existe um plano do PCC para matar policiais em represália à operação que evitou o assalto de duas agências bancárias em Guararema, no interior de São Paulo, há cerca de um mês.

A operação terminou com onze ladrões mortos.

Desde então, foram assassinados dois militares da Rota.

Foi a descoberta de que existe um plano para matar policiais que levou o senador Major Olímpio a convocar os agentes de segurança — que ele chama de irmãos — para “sentar o dedo” nos criminosos. Disse ele:

“Criminosos executaram na manhã de hoje o cabo Fernando da Rota, com mais de trinta tiros quando ele saía da casa dele. É o segundo policial da Rota executado covardemente depois da ação da Polícia Militar e, principalmente, da Rota, lá em Guararema, onde morreram onze criminosos. Estão caçando os policiais militares. Estão caçando os policiais da Rota. Mas nós não vamos nos intimidar. Policiais meus irmãos, civis, federais, rodoviários, rodoviários federais, guardas municipais, meus irmãos policiais militares, meus irmãos da Rota, redobrem as cautelas, redobrem a munição, e sentem o dedo nesses malditos. Quem dá tiro em polícia para matar tem mais é que morrer mesmo. Vamos pra cima deles, o sangue do Fernando e de tantos outros não derramou sem razão. Defensores da sociedade, vamos pra cima deles. Se tiver que chorar, vai chorar a mãe de bandido.”

O cortejo de policiais civis pela Zona Norte de São Paulo em direção ao cemitério dá a dimensão de que os policiais civis atenderam ao chamado.

É compreensível.

E revelador.

Existe uma guerra não declarada em São Paulo, que teve uma trégua nos governos de José Serra e Geraldo Alckmin, depois que mais de 100 agentes públicos de segurança foram mortos em 2006.

Desde então, o comércio de drogas, controlado pelo PCC, aumentou, e não houve mais ataques coordenados a PMs, policiais civis, guardas municipais e agentes penitenciários.

É sabido que, na época, o crime organizado tinha o endereço de seus alvos e decidia quem eliminar.

Há o receio de que esse plano seja retomado, e desta vez com mais força, já que os dois policiais mortos eram da Rota, a elite da polícia, com a qual os criminosos, em geral, evitam confronto.

O estado de guerra em que se encontram as polícias de São Paulo evidencia o fracasso da política de segurança dos governos do PSDB.

Na década de 90, quando surgiram as primeiras notícias da criação de uma “irmandade” nos presídios, o governo Mário Covas dizia que era lenda.

Na virada do século, houve o choque de realidade, quando o Brasil inteiro viu pela TV as rebeliões nos presídios.

Rebeliões daquele tipo já não existem mais em São Paulo, depois que o PCC passou a controlar os presídios, ao mesmo tempo em que começou a organizar o crime nas ruas. Seu maior negócio é o tráfico de drogas, mas atua também na organização e na logística de outros crimes.

“É como uma empresa que presta serviço. Se você tem um problema de encanamento em casa, você chama o encanador, que ele é especialista e resolve. Com o PCC é a mesma coisa. Quando se organiza um crime, se chama o PCC e ele resolve, presta o serviço”, conta um policial.

Em razão disso, movimenta dinheiro, muito dinheiro, o que também atrai policiais corruptos. De vez em quando, dá errado.

Em 2006, o banho de sangue teria sido uma resposta à pressão que policiais fizeram sobre a família de um dos líderes do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, que já estava preso.

O sobrinho dele teria sido sequestrado por policiais.

Desta vez, não se tem ainda clareza sobre as razões da retomada do estado de guerra.

Mas, independentemente das críticas que se faça a policiais, é preciso ter em mente que a polícia, enquanto instituição, é um conquista da civilização.

E a execução de agentes de segurança não deve ser tolerada. A resposta correta, no entanto, não será com mais mortes. Nem de criminosos.

A Colômbia tentou esse caminho, e não deu certo.

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Veja os vídeos dos policiais civis indo, em peso, para o sepultamento do cabo da Rota, Fernando Flavio Flores:

 

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