
A Polícia Civil indiciou três adultos por suspeita de coagir testemunha na investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, agredido na Praia Brava, em Florianópolis (SC). Os investigados são pais e um tio de adolescentes apontados como autores das agressões.
Segundo a polícia, quatro menores já foram identificados por maus-tratos e também são suspeitos de tentar afogar outro cachorro na mesma região. Os adultos (dois empresários e um advogado) pressionaram um vigilante de condomínio que possuía uma imagem relevante para o caso.
Os nomes não foram divulgados. A testemunha foi afastada de suas funções por segurança pessoal. A polícia informou que analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança, embora não tenha confirmado se obteve o registro específico citado.
Somente no inquérito que apura a coação, 22 pessoas foram ouvidas. A Justiça não autorizou a apreensão de aparelhos eletrônicos dos investigados. Paralelamente, a Delegacia de Atendimento ao Adolescente conduz o procedimento sobre o ato infracional atribuído aos menores, cujas identidades permanecem em sigilo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente.

As agressões a Orelha ocorreram no dia 4 de janeiro, mas o caso só chegou à Polícia Civil no dia 16. Não há imagens do espancamento, mas depoimentos e registros de outros episódios na mesma área ajudaram a reconstruir os fatos.
Exames periciais indicaram que o cão sofreu golpes na cabeça com objeto contundente. Orelha foi encontrado gravemente ferido, levado a uma clínica veterinária e submetido à eutanásia no dia 5, devido à gravidade das lesões.
A investigação também aponta que os adolescentes tentaram afogar outro cachorro comunitário, chamado Caramelo. Segundo a polícia, há imagens dos jovens carregando o animal, além de relatos de testemunhas que afirmaram ter visto o grupo jogando o cão no mar.